Cat Power no CCB, e agora Chan?

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Noite morna (demais) para as expectativas que nela tínhamos depositado. Cat Power trouxe ao CCB, em Lisboa, um concerto espelho do momento que vive: confuso, deprimido e triste.

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Aguardado por todos deste o Super Bock Super Rock de 2014, o regresso de Chan Marshall a Portugal revelou-se em Lisboa numa prestação, para nós aquém do que estávamos à espera. Por muito que tenha existido a mais pura das sinceridades na sua atuação, a verdade é que reconhecemos em Cat um poder e uma energia que não lhe encontrámos na noite de ontem.

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Esgotado, o concerto trouxe até à sala de espetáculos lisboeta um público eclético, bastante diferente do que há dois anos se dirigiu ao Meco. Assim como diferente foi a postura de Cat Power, pois, se no festival surgiu cheia de força e de sorriso no rosto, desta feita veio de cara fechada, angustia espelhada no rosto, com a depressão cravada no voz e nos movimentos. A escuridão que inundou a sala durante praticamente todo o concerto embalava o coração e a melodia com que Cat enchia o espaço, mas não chegou…

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Entre a guitarra e o piano, a cantora e compositora norte-americana foi desfilando um alinhamento de músicas que por ali surgiam sem artifícios, é bem verdade, mas que não transportavam a tocha de luz com que as suas melodias sempre nos inundaram. Mesmo melancólicas e portadoras de uma intensidade por vezes dilacerante, a verdade é que a crueza com que foram interpretadas não nos emocionou verdadeiramente.

Protestando constantemente por causa do som, Cat revela estar descontente com a sua voz, «isto quer dizer que não estou a fazer bem o meu trabalho», confessa, chegando mesmo a parar de cantar. Se ontem quando falávamos com amigos e numa referência à participação de Iggy Pop num das músicas de “Sun”, o último registo da cantora, questionávamos, em jeito de brincadeira, se ele viria ao CCB, hoje só nos apetece dizer, «onde andavas tu Iggy?»… Em 2014 fez a digressão acompanhada por uma banda, a mesma que na nossa opinião lhe fez falta ontem no palco do CCB.

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Por entre as músicas ouviram-se palmas e alguns «we love you Char», mas também se viu pessoas sair da sala… não que tivessem deixado de ser fãs, mas que não aguentaram mais «a tremenda depressão que transbordava do palco… não foi para isto que viemos», ouvimos quando nos dirigimos para o parque de estacionamento. Na nossa memória vão permanecer aqueles temas que nos fazem sofrer, mas um sofrimento bom, triste mas não depressivo, como “Moonshiner”, “Hate”, “The Greatest”, “I don’t blame you” e “The Moon”. Se numa das entrevista que deu recentemente, afirmou estar em estado de graça depois de ter sido mãe, a nós pareceu-nos portadora de uma imensa depressão característica de quem, precisamente entra nesse estado, sempre abençoado, mas por vezes difícil de enfrentar. Que o incenso que trazia a arder na guitarra a inundar de “boa onda” o CCB, lhe traga a ela a paz que se percebe andar à procura. Pela nossa parte esta terá sido, certamente, uma noite que não vamos esquecer…

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

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