Carcass, Brujeria e Rotten Sound no Music Station: foi você que pediu uma noite de peso?
Foi uma noite de sonho para os fãs do metal mais extremo com as lendas do death metal, Carcass, os mestres do death/grind, Brujeria e os titãs do grindcore finlandês, Rotten Sound. A roçar a perfeição uma noite para ninguém “botar” defeitos.
Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro
Um concerto dos Rotten Sound é um ataque implacável aos sentidos. Os veteranos finlandeses do grindcore estão na estrada há mais de 30 anos e não mostram sinais de que vão desacelerar. Apocalypse, seu oitavo álbum, é disso prova, ao apresentar-se como um trabalho mais focado e agressivo em anos. O concerto que deram no Music Station foi composto por constantes explosão musicais quem em dois minutos de pura fúria grindcore deixaram todos de cabeça á roda. Em Rotten Sound nada falha: as guitarras são afiadas como navalhas, a bateria é estrondosa, e os vocais são um rugido gutural e ininteligível. Não há (quase) tempo para respirar: em cima do palco o som característico da banda está em pleno, com a sua mistura característica de grindcore, death metal e hardcore punk.
Quando os Brujeria espetam uma bandeira mexicana num mastro com um modelo de cabeça decepada, a infeliz vítima de decapitação da capa do álbum “Mantando Güeros”, no palco, sabemos que vamos estra num concerto que vai ser para recordar. Com as caras cobertas por bandanas ao melhor estilo dos bandidos, é impossível negar que causam uma impressão profunda em quem os vê, especialmente se for a primeira vez. A sua energia é contagiante e um dinamismo entre os músicos passa para o público. Dada a natureza concisa do grindcore, as músicas assemelham-se a mil murros na cara: feias, vigorosas, animadas e de ritmo alucinante não permitem grandes divagações, apenas uma tremenda descarga de adrenalina.
Em cada concerto os Carcass prometem uma performance brutal, com riffs cortantes e vocais intensos. Esta noite não foi diferente. A força cativante com que entram em palco dá-nos a certeza de que vamos viver uma experiência inesquecível. Pioneiros do goregrind e do death metal melódico, a banda e os seus fãs personificaram tudo o que o género representa. A atmosfera da sala de concertos pulsava com uma energia única. Olhando á nossa volta percebíamos a existência de um vínculo geracional que transcendia idades. Cada riff, cada preenchimento de bateria e cada rugido gutural reverberaram pela sala, criando uma atmosfera carregada de energia bruta. Como sempre, os Carcass ofereceram perfeitamente uma parede implacável de músicas ferozes que mantiveram o público de olhos pregados neles durante todo o concerto. Fiel à sua forma, a banda aplacou com os vocais agressivos e a destreza técnica para criar uma atmosfera inigualável. O vocalista Jeff Walker incorporou intensidade e precisão incomparáveis durante toda o alinhamento, a bateria de Daniel Wilding solidificou ainda mais a conexão entre os músicos e o guitarrista Bill Steer inundou o palco de muito boa onda e simpatia. Uma noite em que o pulico mostrou o seu amor e afeição pela banda que marca a história do metal mundial.
Rotten Sound
Brujeria
Carcass