Capitão Fantasma e Dead Combo no Phantasticus! II
Capitão Fantasma > Dead Combo
Com um cartaz pleno de interesse a segunda edição do Phantasticus! II, Festival Internacional de Artes e Cinema levou música e cinema até Almada. Além de um conjunto de curtas-metragens que faziam parte do cartaz foram vários os concertos de bandas nacionais que animaram as noites do Cine-Incrível. Para a última noite foram os Capitão Fantasma e os Dead Combo que subiram ao palco da sala de espetáculos almadense.
Coube aos primeiros dar inicio a uma noite verdadeiramente especial, em especial para nós, que não estávamos com eles há muitos, muitos anos. Na verdade, somos da geração que passou pelo Bar Oceano, em Santos, em cujo o sótão a banda ensaiava logo nos primeiros tempos. Estávamos em finais de 1988, mais especificamente em novembro quando os Capitão Fantasma nascem das cinzas dos Emílio e a Tribo do Rum. Da antiga banda vêm três elementos, Jorge Bruto (voz), Pinela (guitarrista) e Nazaré (baixista), aos quais se junta Manolo, ex Crise Total, na bateria. Os Capitão Fantasma surgem como uma banda rock n’roll com influências de rhythm’n’blues, hillbilly ou garage bands, as quais ainda hoje mantém. No ano seguinte a banda percorre bares tocando para um número cada vez maior de fãs, transformando-se numa banda de culto, facto que ao fim de todos estes anos se mantém e que bem se percebeu quando a banda subiu ao palco do Cine-Incrível, com a sala bem composta para os receber.
No decurso de mais de uma hora de concerto, os Capitão Fantasma tocaram 22 canções do seu vasto reportório, sendo que o público, sempre em sintonia com o que se passava em cima do palco, demonstrou ser dele conhecedor. Começaram com “Beijo da Morte”, “Ratoeira” e “Faca”. Com o público já perfeitamente enquadrado no ritmo psychobilly, era a hora de atacarem com “King Machado”, “Até ao Fim” e “Percepção”.
Com uma vida algo atribulada, a banda ressurgiu em 2007, com o registo “Viva Cadáver”, editado pela Raging Planet. Uma referência a Jorge Bruto, líder inconfundível, que não parou um minuto durante toda a atuação, mostrando-se sempre muito ativo e com uma entrega memorável a cada música. “Cruela”, “Cidade Suja” e “Lobisomem” foram outras das músicas que passaram pela sala de Almada.
Com o concerto já em modo terminus, foi a vez de “Rock das Caveiras” seguido de um encore com “20 Anos”, “Tudo à Estalada” e “Clube de Ódio”. Se há reencontros verdadeiramente bons, este foi claramente um deles.
Mudado o cenário, mas mantendo-se o público, era a vez dos Dead Combo subirem ao palco para encerrar da melhor forma a edição 2012 do Phantasticus! II, Festival Internacional de Artes e Cinema.
Além do seu último registo de originais Lisboa Mulata lançado no início do ano, a banda percorreu alguns dos momentos mais emblemáticos da sua carreira como “Putos a Roubar Maças”, do Lusitânia Playboys (2008) “O Assobio”, de Quando a Alma não é Pequena, Vol. II (2006).
A qualidade e a mestria dos dois músicos que integram os Dead Combo, Tó Trips e Pedro Gonçalves, é para nós a grande evidência de um projeto que com o passar dos anos surge mais coerente e objetivo. As suas músicas não deixam ninguém indiferente e nelas conseguimos descortinar um cenário algo cinematográfico, onde géneros como o fado, o tango ou o flamenco se entrelaçam influenciando a criação das músicas.
Uma palavra à organização do festival, que, mais uma vez está de parabéns. Resta-nos esperar pela edição do próximo ano, até lá ficam as memórias…boas!
Texto: Sandra Pinto
Fotografias: Luís Pissarro
Artigo disponível (sem necessidade de Adobe Flash Player) em: http://look-mag.com/2012/11/11/capitao-fantasma-e-dead-combo-no-phantasticus-ii/










































