Banda do Mar, concerto para recordar

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A estreia da Banda do Mar em Portugal foi exatamente como se esperava: um concerto esgotado (o primeiro de dois a encher o Tivoli) e quente, como só a música com sotaque brasileiro sabe dar.

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O fenómeno chegou de mansinho, apesar de ter três pesos pesados ao leme. Marcelo Camelo, Mallu Magalhães e Fred Ferreira dão corpo à Banda do Mar, projeto que chegou em 2014 com álbum homónimo e conquistou tudo e todos, dos dois lados do Atlântico. Por cá, a estreia em Lisboa fez-se em duas noites que rapidamente esgotaram, para surpresa e agrado do grupo intercontinental, como Marcelo Camelo vai reconhecer durante o concerto de 27 de Janeiro.

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“Cidade Nova” abre o alinhamento, com uma entrada em palco simples, ao bom jeito de Marcelo Camelo. É dele a primeira voz que se ouve esta noite no Tivoli. Pouco depois, Mallu Magalhães ocupa a spotlight com “Me Sinto Ótima”. São duas das faixas do álbum de estreia da banda, que conta ainda com o baterista português Fred Ferreira, aqui a lançar-se num registo diferente de outros que já lhe conhecemos (Buraka Som Sistema, Orelha Negra e 5-30, por exemplo).

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“Hey Nana” e “Mais Ninguém” são, até agora, os singles da Banda do Mar que as rádios passam. São também algumas das músicas que o público mais queria ouvir. Percebe-se pela reação. Apesar disso, “Mais Ninguém” chega num ritmo mais acelerado que o original e acaba demasiado depressa, como elemento secundário de um alinhamento bastante mais completo do que as bandas de um só disco trazem habitualmente. Aqui vamos ter espaço para ouvir só Mallu e só Marcelo, entre algumas das criações da Banda do Mar. Haverá até momentos para recordar Los Hermanos, com agrado do público português que replica em Lisboa a extraordinária adesão que o grupo tem recolhido na sua tour pelo Brasil.

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Seguem-se mais algumas faixas do disco deste projeto, que vai atuar no próximo Super Bock Super Rock. É quando Mallu Magalhães agarra no alinhamento, (cabe-lhe cantar “Velha e Louca”, “Olha Só, Moreno” e “Sambinha Bom”) que tem lugar um momento inédito. Um fã dedicado mas inofensivo sobe pacificamente ao palco sem que ninguém tente impedi-lo de chegar até à cantora brasileira. Marcelo Camelo resolver a questão rapidamente com uma troca de microfones estratégica e o espetáculo continua. Fará uma explicação simples ao momento insólito, que desconstrói com uma piada, quando finalmente se dirigir ao público português com um animado “nós somos a Banda do Mar!”.

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A formação pentagonal que se apresenta em palco (Marcelo, Mallu e Fred são acompanhados por dois músicos) desintegra-se e Mallu fica sozinha em palco, reagindo com um simples “sobrou para mim, né?”.
Rapidamente começam as despedidas e é Marcelo Camelo que dá o mote com um solo de guitarra bem nostálgico em “Janta”. Vai trocando os versos da música com Mallu, que, pouco antes, se juntou a Fred na bateria, protagonizando um momento de clara cumplicidade.

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É a mesma cumplicidade que Marcelo leva ao público quando desce as escadas do teatro para se sentar perto das primeiras filas. Já no encore, toca e canta “Morena”, dos míticos Los Hermanos.
Esperava-se uma repetição mais fiel ao original de “Mais Ninguém”, como é apanágio das bandas com discografia curta, mas o trio escolhe terminar com “Muitos Chocolates”. Nem mesmo no segundo encore (claramente, outra opção que não ocorre àquelas bandas mas só a músicos de grande experiência como estes) se ouve “Mais Ninguém”.

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É “Vamo Embora” que fecha o concerto, assim como encerra o primeiro registo da Banda do Mar. Um final adequado para a primeira apresentação aos portugueses desta banda que atravessou um oceano: “Vamo embora, morena, dança/Que a cidade não se cansa de te ver dormir”.

Texto: Filipa Moreno
Fotos: Vera Marmelo

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