Ashes in the Ocean: “A maior parte das letras do EP resulta diretamente das vivências dos membros da banda”
Ashes in the Ocean tem vindo a destacar-se no panorama do metalcore português, combinando intensidade, inovação e um toque melódico que surpreende mesmo os ouvintes mais atentos. Com uma amizade sólida entre os membros que se reflete na energia dos concertos e na coesão da composição, a banda procura explorar novos territórios dentro do subgénero, equilibrando elementos eletrónicos com a tradição do metal moderno. O mais recente EP, “Collapse”, produzido por Christoph Wieczorek (Annisokay), aborda temas como ansiedade, relações interpessoais e perda, mostrando uma maturidade lírica e sonora que se revela a cada audição.
Por Sandra Pinto
Nesta conversa, os membros da banda falam sobre o processo criativo, as experiências em festivais internacionais e a visão para o futuro da banda, oferecendo um olhar honesto e íntimo sobre a sua música e identidade.
De que maneira a amizade entre os membros influenciou a criação da banda e o som de Ashes in the Ocean?
Foi e é a amizade entre os membros da banda que permite o avanço que temos feito tanto em termos de composição como nos concertos. O mais importante para nós é divertirmo-nos enquanto tocamos, e isto só é possível graças ao bom ambiente que existe entre nós.
O que significa para vocês explorar novos territórios no contexto do metalcore português?
Apesar de não haver assim tantas bandas no ativo em Portugal dentro do subgénero, sentimos que tentamos sempre puxar para ser a banda que pode representar Portugal na sonoridade moderna do metalcore. Tentamos sempre ter noção do momento que o subgénero está a viver a nível mundial e perceber o que podemos fazer para não só embarcar nesse momento como também adicionar elementos que começam a fazer parte da nossa sonoridade.
Como descreveriam a identidade sonora da banda em poucas palavras?
Tentamos ser o mais simples possível em termos melódicos, naquilo que o ouvinte capta de imediato. No entanto, é uma simplicidade falsa, porque ficam escondidas camadas que se revelam na segunda, terceira audição… a cada vez que se ouve deixamos algo para descobrir. Para além disso, o mais difícil para nós é não complicar: ser simples, mas inovadores.
O que podemos esperar de “Collapse” em termos de sonoridade e temáticas?
Fomos escrevendo músicas ao longo de dois anos, procurando que houvesse consistência na sonoridade das faixas do EP, ainda que esporadicamente incluamos partes que fogem um pouco dessa linha e que, esperamos nós, surpreendam os ouvintes.
O EP foi produzido por Christoph Wieczorek (Annisokay). Como foi trabalhar com ele e que influência trouxe ao processo criativo?
O produtor do EP foi uma escolha feita para garantirmos um trabalho final com qualidade o mais profissional possível. Ficámos felizes com o processo e com o resultado. Na nossa opinião, os elementos que Christoph acrescentou, especialmente efeitos sonoros que deram um tom mais finalizado às demos enviadas, encaixaram-se perfeitamente na sonoridade que procurávamos, sem necessidade de muito debate de ideias.
A faixa “Tempting Fate” desafia estruturas tradicionais do metalcore. Qual foi a inspiração por trás dessa música?
Esta foi talvez a música do EP que mais alterações sofreu durante o processo criativo. Existe toda uma linha de pensamento complexa por trás da sua criação. Por exemplo, o refrão estava inicialmente previsto com outra secção instrumental, mas acabámos por decidir usar a estrutura do primeiro verso também para o refrão, um bocado como uma forma de rebeldia contra a rigidez estrutural que se encontra na maioria das músicas do género.
O EP aborda ansiedade, relações interpessoais e perda. Como foi traduzir esses temas para a música de forma honesta e intensa?
A maior parte das letras do EP resulta diretamente das vivências dos membros da banda. Como tal, não haveria melhor forma de transmitir estas reflexões com um tom honesto e intenso.
Como funciona a dinâmica de composição e arranjos dentro da banda?
A maior parte do trabalho é feita pelo vocalista e guitarrista Filipe Coelho, que se tem dedicado a tempo inteiro à música e também produzido para outras bandas, ficando responsável por grande parte da base e do instrumental inicial. Quanto às letras, a maioria é escrita por Luís Ribeiro, o vocalista responsável pelos screams. No entanto, o resultado final só é atingido com a contribuição de todos os membros da banda: Rafael Torres, guitarrista, e Adriano Freitas, baterista. Cada membro ouve as versões das músicas e acrescenta ideias para as melhorar, até se chegar a um resultado com que todos estejam satisfeitos.
Há alguma abordagem específica para equilibrar elementos eletrónicos com instrumentos tradicionais do metal moderno? Que desafios enfrentaram ao criar um EP que combina inovação com respeito às raízes do metalcore?
Um dos maiores desafios é encontrar um meio-termo equilibrado entre tudo o que acontece em cada momento da música e o que queremos destacar. É aqui que o processo de mixagem e masterização se torna tão importante. A banda decide o que deve sobressair, e o trabalho de Christoph Wieczorek também se centrou em jogar com as diferentes faixas para dar mais destaque a certos elementos em relação a outros.
Como tem sido a experiência de tocar em festivais internacionais e qual o impacto disso na evolução da banda?
Tocar em festivais tem sido uma das experiências mais enriquecedoras que tivemos como banda. Sentir o afeto do público que foi ao festival para nos ver, juntamente com a reação de pessoas que não nos conheciam mas vibraram com a nossa música, é incrível. O ponto alto destas interações foi no Resurrection Fest 2024, que acabou por gerar outras oportunidades para concertos.
Há planos para novos singles ou um álbum completo após o EP?
Sim. Apesar de termos lançado este EP em novembro de 2025, já voltámos a sentir a necessidade de trabalhar em novas músicas. Ainda é cedo para dar detalhes, até porque gostamos de lançar trabalho maturado e com qualidade, mas estamos atualmente a procurar o equilíbrio entre ter concertos, organizar o próximo ano e continuar a criar música.
Que mensagem esperam que os fãs levem consigo ao ouvir “Collapse”?
O que mais queremos é que apreciem a música que apresentamos. Não existe necessariamente uma mensagem geral pensada para o EP; queremos que cada pessoa aprecie cada faixa e encontre nelas conforto ou inspiração.
Como se sentem ao ver a receção nacional e internacional ao vosso trabalho até agora?
Tem sido ótimo receber mensagens de fãs a escolher a música favorita do EP, por exemplo, ou a perguntar sobre próximos concertos depois de o ouvirem. Claro que, como uma banda com grandes aspirações, queremos sempre mais reações ao nosso trabalho, mas agradecemos muito a todas as pessoas que usaram o seu tempo para ouvir a nossa música e ainda mais àquelas que nos enviaram mensagens calorosas.