As peças desenvolvidas por Armando Teixeira têm sempre uma dimensão pop, adivinhável nas melodias transparentes e nos arranjos escorreitos.

Armando Teixeira tem nova banda

Ao longo de 14 temas os Knok Knok recuperam para o presente o pulsar metronómico do Krautrock, mas também se alinham com as experiências electrónicas pioneiras que etiquetas como a Finders Keepers têm vindo a relançar. Mas a proeza dos Knok Knok é não se limitarem a evocar o passado, conseguindo uma sintonia com um particular presente que projectos como Ekoplekz ou, por exemplo, Pye Corner Audio e o que certas editoras como a Ghost Box têm vindo a explorar: um particular ponto de intersecção entre o kraut e o techno, as pioneiras experiências do Radiophonic Workshop, a synth scene experimental dos anos 80 que derivou da new age, o synth pop mais aventureiro de projectos como os Yello ou Yellow Magic Orchestra, etc.

As peças desenvolvidas por Armando Teixeira têm sempre – qualquer que seja o contexto, Bulllet ou Balla são exemplos possíveis – uma dimensão pop, adivinhável nas melodias transparentes e nos arranjos escorreitos, mas mergulhado na sua panóplia de teclados vintage, o produtor consegue igualmente explorar uma mais funda vertente experimental que neste caso passa pela procura de novas texturas, de novos sons e combinações de pulsares, estratégia própria de quem vê no estúdio, na mesa de mistura, as mesmas possibilidades que um cientista encontra no laboratório – uma forma de descobrir novos mundos através de uma postura inquisitiva.

Igualmente importante aqui é o diálogo entre Armando Teixeira e Duarte Cabaça, com a base rítmica fornecida pelo baterista que bem conhece as derivas motorik do kraut e entende que o que importa são os desenhos rítmicos angulares de grande precisão a servirem para que os teclados pintem abstractos quadros que títulos como “Vapor”, “Casa de Papel”, “Roda” ou “Acrílico Azul” não esclarecem, antes servem como estímulos para orientar a nossa imaginação.

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