Anna Calvi na Aula Magna

Com esta contam-se em quatro as vezes que tivemos o prazer de nos cruzar com Anna Calvi. A artista britânica, tímida e simpática veio à Aula Magna explicar com música porque deixou Nick Cave “de quatro” quando lançou o seu primeiro álbum e porque tem vindo a juntar uma cada vez maior quantidade de fãs. Neste que foi o último concerto de uma tournée de 17 dias, Anna Calvi actuou perante uma Aula Magna bem composta de público que no final a presenteou de pé com uma verdadeira chuva de palmas.

Antes da sua entrada em palco foram muitos os chamamentos de «Anna» que alto e bom som se fizeram ouvir na sala lisboeta. O alinhamento, coeso, permitiu a Calvi dar a conhecer a forma descomprometida com que agarra numa guitarra e dela arranca sons e riffs que não associaríamos à sua figura algo frágil. De cabelo apanhado, camisa vermelha, cor que coloria, como sempre, os seus lábios e saltos altos, Anna começou com «Suzzanne and I», dando seguimento ao alinhamento com «Eliza», depois da qual teve lugar a primeira torrente de palmas por parte do público.

Seguiram-se «Suddenly» e «Sing to Me», entre as quais, Anna troca, a primeira de muitas vezes, de guitarra, para depois delas se ouvir o primeiro e tímido obrigada. «Cry», belíssima canção que ao vivo soa ainda mais bela, antecedeu a simplesmente maravilhosa «First We Kiss», na execução da qual a voz de Anna nos transporta para longe, para um universo requintadamente melodioso e perfeito. A um inesperado «welcome» gritado desde a plateia ouve-se a voz de Anna num tímido agradecimento, mas de sorriso constante no rosto, o que deixou perceber o quanto apreciou o piropo.

Aos primeiros acordes de «I’ll Be You Man», melodia facilmente reconhecível pelos fãs, lembrámo-nos do concerto do Lux, onde bem perto do palco sentimos o power que Anna transmite quando arranca da guitarra sons e riffs demoníacos. Excelente prestação, sem dúvida! Esta que é para nós uma música emblemática da carreira de Calvi foi por ela interpretada na frente de palco, isolada dos outros músicos que a acompanhavam. Ali, Anna adquire contornos de uma deusa que, em vez de harpa se faz acompanhar de guitarra!

«Piece by Piece» e «Carry Me Over» antecedem a versão, sublime, do original de Bruce Springsteen, «Fire», interpretado por Anna Calvi sozinha em palco de guitarra em punho. Quase sussurrada por Calvi, a letra escrita pelo Boss pareceu-nos cantada ao ouvido de uma forma extremamente sensual. Momento a recordar!

O público que timidamente se levantou depois de «Fire» rapidamente perdeu o receio e foi de pé que aplaudiu «Desire» uma das canções mais conhecidas da cantora/compositora britânica. Não será demais afirmar que foi o primeiro momento a sério de loucura colectiva que se viveu na, supostamente, tradicional e recatada, sala da Cidade Universitária. A fechar o concerto «Love Won’t Be Leaving».

Que dizer sobre o encore? Que foram dois, que no primeiro Anna Calvi cantou «Bleed in To Me» e a sua versão de «Jezebel», original de Edith Piaf, ambas brutalmente bem interpretadas, e que no segundo deu por findo o concerto com, claro, «Blackout», agradecendo e desejando a todos uma boa noite. Todos retribuíram os votos, de pé com uma verdadeira ovação de palmas, daquelas que se ouvem poucas vezes mas que testemunham que da sala sai um público de alma cheia e feliz. Pelo menos, connosco foi assim!

A primeira parte foi preenchida pela actuação de I Have a Tribe, que ao contrário do que o nome poderia indicar, resume-se a um músico, Patrick O’Laoghaire, que na companhia de uma guitarra e um piano faz música bonita, simples, tranquila e bonita.

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

You May Also Like

Lola Lola editam 7′ e apresentam videoclip “Killed a man in a field”

Beneath the Eyrie é o novo álbum dos Pixies

MGLA no RCA Club. O nevoeiro chegou a Lisboa…

Super Nova regressa para a 6.ª edição com a Super Bock

error: Conteúdo protegido. Partilhe e divulgue o link com o crédito @lookmag.pt