Allah-Las no Lisboa ao Vivo podia ter sido tão bom

Depois de uma primeira vez no Vodafone Paredes de Coura, em 2015, da qual guardamos gratas memórias, e de terem já passado pelo lisboeta Music Box, foi com entusiasmo que nos dirigimos para o Lisboa ao Vivo com o intuito de assistir ao regresso em nome próprio dos norte-americanos Allah-Las.

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

Nascidos em 2008 na cidade de Los Angeles, a banda é formada por Miles Michaud, na voz e guitarra, Matthew Correia, na bateria, Spencer Dunham, no baixo e Pedrum Siadatian, na guitarra lead e voz. Praticantes convictos de um surf rock pontuado com guitarradas de garage, a banda californiana sabe que o seu público não falha, participando nos concertos com muita animação e entrega.

Agora faltas de respeito é que não. E para nós foi isso que aconteceu no LAV. Um público falador, que não sabe estar calado, que o faz de uma forma alta e grosseira, que grita e que assobia no meios das músicas. Não era isso que estávamos à espera, e, a bem da verdade, não era isto que a banda merecia. Começam a ser demasiado frequentes estas situações em concertos, onde elementos do público se viram, inclusive, de costas para os artistas para continuar a falar! A sério que não se entende esta postura, a qual tem, urgentemente, que mudar.

Enfim… deixemos quem não merece a nossa atenção e olhemos para a banda.

Conhecem-se desde os tempos de liceu. Falamos dos músicos dos Allah-Las, pois claro, mas foi na loja de discos Amoeba Music, onde todos trabalharam que decidiram formar uma banda. As influências vão buscá-las a muitos lados. Desde o psicadelismo de finais da década de 60, até ao punk dos skaters, passando pelo rock, de tudo um pouco se compõe a inspiração dos Allah-Las. Mas é no surf rock que encontraram o seu porto de abriga, e a aquecê-lo o sol californiano, trazido em boa dose à sala de concertos lisboeta.

Tendo já editado quatro trabalhos bem recebidos pela critica e pelo público, os Allah-Las mostraram ser uma banda consistente que em palco sabe bem o que faz e ao que vem. Allah-Las, de 2012, Worship the Sun, de 2014; Calico Review, de 2016, e o, recentemente, editado LAHS, mostram bem que esta é uma banda que faz já parte do melhor rock da actualidade.

Tendo sofrido já alguns dissabores devido ao nome, que nas palavras da banda «são apenas palavras que se juntaram», os Allah-Las deram um concerto muito equilibrado fazendo valer todos os seus trunfos junto da plateia.

Dos hits dos primeiros registos discográficos, até aos novos temas que já andam nos ouvidos de todos, a banda soube fazer bem, com tranquilidade e harmonia. Pelo meio, impossível não assinalar algumas falhas no que ao som diz respeito com as guitarras muito baixas, assim como as vozes, especialmente a de Miles, e o baixo exageradamente alto. Para um banda que vive, e muito, da harmonização dos instrumentos esta não foi uma boa noite no que ao som diz respeito.

“Tell Me (What’s on Your Mind)” (Allah-Las, 2012) foi, claramente, um dos pontos altos da noite, marcada por um encore repleto de boas memórias, com “Could Be You”, do registo de 2016, e “Catamaran”, do álbum lançado em 2012.

Começou assim a tournée dos norte-americanos, que se mostraram muito felizes por estar de regresso a Lisboa, afirmando que não podiam ter tido uma melhor forma de começar a tour.

Na primeira parte actuou Tim Hill, músico convidado que depois acompanhou a banda durante a sua actuação ocupando-se das teclas.

Mais uma vez vergonhosa a maneira como o público se comportou. Sem parar de falar alto durante toda a actuação de Tim Hill, foi quase impossível ouvir dignamente as canções do músico que se faz acompanhar de uma guitarra e de uma harmónica, muito ao jeito de Bob Dylan, com canções calmas e tranquilas que requerem silêncio e alguma introspecção para serem devidamente apreciadas.

Tim Hill

Allah-Las

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