À Conversa com smartini

Os smartini regressaram. A banda oriunda de Caldas das Taipas regressa com novo trabalho cujo avanço nos chega agora através do single homónimo “Liquid Peace” e nós fomos falar com eles.

Impossível não começar por perguntar de onde surgiu o vosso nome?
Tudo surgiu com a preocupação de se conseguir um nome fácil e cuja fonética fosse interessante. Existiam na altura projetos com nomes enormes e muitas vezes de difícil memorização. smartini encaixou-se perfeitamente nas nossas pretensões e teve aceitação imediata por parte de todas as pessoas que nos rodeavam. Para além da sonoridade, tem havido algumas tentativas bastante interessantes sobre a explicação da génese do nome por parte de quem nos ouve.

Já se conheciam há muito tempo?
A nossa amizade é, sem dúvida, anterior aos smartini. Já nos conhecemos há muitos anos e apesar da música nos ter posto no mesmo caminho, a forte cumplicidade que nos une manter-se-á com certeza.

Estavam todos ligados de alguma forma à música?
Todos fizeram parte de outros projetos musicais, mas sempre juntos. Portanto, a ligação à música é contemporânea à nossa amizade e, de certa forma, confundem-se uma com a outra.

Um dia decidiram ter uma banda…foi assim?
A nossa amizade remonta ao tempo da adolescência e a decisão de formar uma banda foi natural. Juntos fizemos parte de projetos que naturalmente tiveram uma evolução com o passar dos anos. Apesar da base das influências musicais serem as mesmas hoje, juntando-se claro sons mais atuais, o processo de maturação levou a que em meados de 2002 chegássemos aos smartini. Talvez por ser o produto final daquilo que nos sentimos bem a fazer e nos identificamos mais.

Há um grande hiato de tempo entre “Sugar Train”, de 2007, e o registo que está prestes a ver a luz do dia. Por quê? O que vos levou a demorar tanto tempo para voltar a gravar?
Existem características que são inerentes à nossa formação enquanto banda. Somos talvez perfecionistas, parcimoniosos na composição, exigentes no processo e, por isso, o produto final torna-se demorado. Por momentos, a evolução que a música levou, fez-nos pensar que estávamos “fora” e embora nunca fosse esse facto que nos demovesse e nos impedisse de trabalhar, contribuiu para que nos voltássemos para “dentro”, e como que num processo autista nos fechássemos. Foi um período de produção de igual forma, pois hoje temos registos daquilo que se podem chamar “embriões musicais”, ou “ideias na gaveta” e que serão a base do que futuramente iremos apresentar. Parece que o tempo está agora a nosso favor, e assim, os smartini poderão agora com “Liquid Peace”, mostrar o que sempre foram.
Claro que a vida familiar e profissional intensa de cada um, também teve a sua cota responsabilidade neste hiato temporal, mas com uma gestão cuidada das nossas agendas, queremos muito ficar presentes no panorama alternativo da música portuguesa, fazendo aquilo que mais gostamos.

Locomotiva sónica, bela designação. De onde vem ela? A nós parece-nos que há por aqui muita influência dos Sonic Youth, é assim?
Ao longo dos anos, alguma critica tem escrito textos interessantes sobre nós. A sonoridade do nosso primeiro álbum “Sugar Train”, deu origem a várias designações. Locomotiva sónica pareceu-nos muito feliz e bem conseguida e por isso a reproduzimos por vezes nos nossos textos. Sonic Youth é apenas uma das influências. Projetos longe dos “mainstream” mas derivados de arquétipos alternativos tem sido também muito importantes para nós.

Além deles quais são as vossas referências musicais mais importantes?
A banda é muito heterogénea ao nível de gostos musicais. Alguns mais eclécticos, outros mais restritos, mas existem várias bandas que a todos dizem muito. Sonic Youth, Yo La Tengo, Velvet Underground, Dead Kennedys, Joy Division, Free Kitten, Bikini Kill, são muitas das nossas referências. Estamos, no entanto, muito atentos a bandas emergentes.

Essa diversidade está de alguma forma plasmada nas vossas composições?
Esse não é o objetivo, pelo contrário. Se tal acontece é feito de uma forma inesperada. Apesar de toda a diversidade, procuramos a originalidade. No entanto, pela sua dimensão como banda mundialmente conhecida, somos sempre muito colados a Sonic Youth, mas existem guitarras, linhas de baixo, ritmos e a própria voz que se descolam desta banda. É um processo natural, e no fundo o nosso som é o somatório daquilo que temos em comum.

Já agora, como é que se processa o vosso processo criativo? Há “tarefas” repartidas?
De uma forma geral, as músicas vão nascendo de uma linha de baixo, um ritmo ou mais frequentemente de riffs de guitarras. Depois desta base, é estruturada a música em que podem ser coladas diferentes peças previamente construídas. O ritmo e o baixo vão depois sendo introduzidos. Ao longo de todo este processo, vai surgindo naturalmente a melodia da voz. Por vezes os temas surgem de uma forma contrária, em que a letra surge em primeiro plano. A grande dificuldade do nosso processo criativo resulta sempre em sintetizar e tornar as músicas mais curtas.

Onde foram beber inspiração para dar vida a estas quatro musicas?
Com o somatório daquilo que são as nossas influências musicais, existe sempre a componente do momento ou até do estado de espírito daquele instante. Isso reflete-se naturalmente na construção das músicas que, necessariamente, traduzem sempre emoções, momentos e afetos diferentes. Pensamos que quem houve os quatro temas que compõem o EP, sentirá essas diversidades de mensagens.

Pelo que sabemos não pisam os palcos desde 2009. Não sentiram saudades?
Apesar de termos interrompido em 2009, no ano passado já fomos aquecendo os amplificadores, e fomos de uma forma progressiva matando as saudades. Por mais que toquemos, porque gostamos e temos prazer de o fazer, para nós estar juntos é fantástico, se não existir a componente da difusão, do mostrar no “live act”, no fundo no completar da comunicação que deve existir entre quem cria e quem ouve, algo fica por fazer. Os palcos são sem dúvida o culminar de todo o processo e aquilo que as bandas gostam geralmente fazer. Depois há o conhecer novos locais e a partilha dos palcos com outras bandas.

E agora, passado todo este tempo como vai ser voltar a estar em frente a um público?
Será um momento natural. Não somos uma banda de larga experiência, mas também não somos uns novatos. Sabemos pela experiência do passado que só conseguiremos estar a 100% em palco dermos concertos com alguma regularidade.

Estão nervosos com este regresso?
Nervosos não será o termo, estamos sim com vontade enorme de começar a tocar e apresentar estes temas “ao vivo”.

O que podemos esperar para já do concerto de 19 de novembro?
Ainda não está tudo decidido. Pensamos numa apresentação em formato mais restrito para a comunicação social durante a tarde e à noite um concerto onde serão apresentados os quatro temas de “Liquid Peace”, e onde serão ainda revisitados alguns temas reformatados.

Vão estar a “jogar em casa”, certo? Isso ajuda?
Claro que sim. Somos das Caldas das Taipas e não fazia sentido recomeçar sem ser aqui. Temos aqui os nossos amigos que foram uma força para este ressurgimento. Será, sem dúvida, o ideal para o arranque de forma a poder “afinar e olear a máquina”.

Para terminar “Liquid Peace” homenageie algum “liquido” em especial?
A ideia de paternidade está presente neste tema, apesar de qualquer interpretação ficar a cargo do ouvinte. Aliás, esta é uma característica das nossas letras. Este líquido, simboliza o líquido amniótico que protege o embrião e que de certa forma cria uma atmosfera única, protetora e de paz.

Mais sobre o novo disco aqui.

Por: Sandra Pinto

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