À conversa com Norton

São jovens, são amigos e são excelentes profissionais. Oriundos de Castelo Branco, os Norton têm vindo a revelar-se uma das mais interessantes bandas do universo pop/indie nacional. Com o primeiro trabalho editado em 2003, o colectivo de músicos tem vindo a revelar uma crescente maturidade ao nível, não só das composições, mas também das letras. E isso é bem visível em Layers of Love United, o seu último trabalho editado em 2011.

Quem são os Norton?
Os Norton são Rodolfo Matos, Pedro Afonso, Leonel Soares e Manuel Simões. Quatro bons amigos que gostam de fazer música, divertir-se, dar concertos e, acima de tudo, estar juntos!

O vosso nome traz à memória um anti-vírus…mas vocês ao contrário dele não querem afastar ninguém. Como surgiu o nome?
Não queremos de todo afastar ninguém! Aliás, gostamos de espalhar ao máximo a nossa música e chegar ao maior número de pessoas possível, sempre com uma aura positiva à volta.
O nome não tem nenhuma explicação. Queríamos apenas um nome próprio sem significado particular e que pudesse ser dito da mesma forma em qualquer lado.

Vêm de Castelo Branco. Como foi criar e cimentar uma banda fora dos grandes centros onde se faz música, nomeadamente, Lisboa e Porto? Que dificuldades sentiram em dar a conhecer o vosso trabalho?
Começámos a fazer música desde muito novos e estar em Castelo Branco tem, apesar de tudo, muitas vantagens. Temos uma sala de ensaios só nossa, o que em grandes centros é muitas vezes uma dificuldade. Podemos até ir a pé para a sala e é tudo bem mais calmo! O único senão é o facto de Lisboa e o Porto serem os centros de tudo e para isso temos mesmo de nos deslocar. No entanto, hoje em dia com a Internet fica tudo bem mais fácil e perto, e em Castelo Branco estamos tão perto de Lisboa como do Porto ou Madrid.

Kersche  e Layers of Love United, o que separa os dois trabalhos?
Muita coisa. A essência continua a mesma, mas crescemos imenso individualmente e como banda. O Layers of Love United é um disco mais orgânico onde quisemos transmitir uma música mais luminosa. Costumamos dizer que, na altura da composição do disco, abrimos a porta da sala de ensaios e deixámos entrar muita luz. Neste disco centrámo-nos nas canções à maneira antiga: os quatro fechados na sala de ensaio a compor, enquanto que o Kersche foi um disco mais de estúdio, intimista e electrónico. Houveram algumas mudanças internas – o Pedro assumiu a voz principal e adaptou-se na perfeição a esta nova fase bem mais up, e o Manuel tornou-se um membro oficial, apesar de tocar com a banda há vários anos. Queríamos canções orientadas para os concertos e com refrãos para divertir quem nos vê e ouve.

Em Layers of Love United sente-se uma coesão entre as músicas…foi intencional?
Sim, foram compostas pelos quatro da maneira mais clássica que há no rock. Até como grupo estamos mais coesos e transmitimos isso muito bem em disco. No final de 2009 fizemos uma tour pela Europa durante duas semanas e isso foi um passo enorme para a nossa relação. As músicas transmitem isso mesmo! Somos pessoas com vidas felizes.

Confesso que sinto este vosso trabalho como um álbum de canções e não como um conjunto de canções…há um fio condutor…
Gostamos de olhar para este disco como um todo e como um álbum de canções. Não há um fio condutor intencional, mas faz muito sentido ouvi-lo do princípio ao fim. Uma das nossas principais premissas era mesmo que as pessoas tivessem vontade de carregar outra vez no play depois de ouvirem o disco.

Cantam em inglês. A internacionalização é um objectivo?
Sempre foi um objectivo a partir do primeiro dia. Temos uma estima enorme pelo nosso país, mas o facto de cantarmos em inglês abre-nos muitas portas. Os exemplos têm crescido a olhos vistos – temos o último disco editado no Japão. Vê-lo nas prateleiras de lojas japonesas com aqueles caracteres à volta é irreal! Com a Internet torna-se tudo bem mais fácil e torna-nos cada vez mais cidadãos do mundo. Para além disso, adoramos viajar e conhecer novos países. Se puder ser a tocar, tanto melhor!

Foram a mais recente confirmação para a edição do Porto do Vodafone Mexefest…Tocar ao vivo preenche-vos?
Completamente! Dar concertos e partilhar a nossa música com quem gosta de nós e ainda dar a conhecê-la a mais pessoas é uma grande retribuição.

De todos os palcos onde já tocaram qual vos deixou mais gratas memórias?
Os concertos da tour europeia, em especial o de Hamburgo ou no Luxemburgo, foram memoráveis! Em Dezembro estivemos no Hard Club no Porto e foi fantástico, tal como na Sala Apolo em Barcelona no início do Verão passado. Os concertos de apresentação do Layers of Love United em Lisboa e em Castelo Branco foram casas cheias que nunca vamos esquecer!

Participaram na banda sonora do filme Um Funeral à Chuva, como foi essa experiência?
Foi muito gratificante e enriquecedora, pois foi uma coisa que sempre quisemos fazer! Deram-nos uma cena em particular, a cena final do filme, para musicar. E, de facto, fazer música com imagem e esta inspirar o que estamos a compor é único! Melhor ainda é ver depois o resultado!

Algo que vos agradaria repetir?
Uma nova tour europeia e uma nova banda sonora.

O que vos inspira para escrever/compor?
Tudo o que nos envolve, as pessoas que fazem parte de nós, os dias solarengos e todos os instrumentos e material que temos espalhados pela sala de ensaios.

Se vos dessem a hipótese de uma colaboração internacional que música/banda escolheriam?
Nunca pensámos bem nisso, mas existem algumas bandas de que gostamos muito como os Phoenix, Foals, Death Cab for Cutie, Yo La Tengo ou Radiohead, com quem gostaríamos de trocar ideias. Uma colaboração em tour seria um sonho!

Para quando uma nova tournée internacional?
Estamos a contar com uma para 2012. Queremos muito repetir a dose e alargar os destinos! Entretanto vamos tocar novamente em Espanha e, se tudo correr bem, no Canadá.

Além da participação acima referida no Vodafone Mexefest, quando e onde vamos poder ver os Norton ao vivo?
Para já temos marcados o dia 10 de Fevereiro nas Caldas da Rainha, em Março o Vodafone Mexefest, e em Abril vamos estar em Palma de Maiorca num festival onde tocam também os We Are Scientists e os Catpeople, entre outros. Mais datas em breve, fiquem atentos ao nosso Facebook! Esperamos por vocês!

(as fotos dos Norton são da autoria de Pedro Antunes)

www.nortonmusic.net
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