À Conversa com Noiserv

Três anos depois da edição do último registo discográfico, Noiserv regressa com novo disco. “00:00:00:00” é descrito pelo músico como “a banda sonora para um filme que ainda não existe, mas que talvez um dia venha a existir” e foi o pretexto mais do que perfeito para voltarmos à conversa com o músico e compositor.

Como é que em três anos as tuas composições ganharam asas desta forma?
É complicado responder a essa pergunta, um disco é algo que vai crescendo ao longo dos minutos, das horas, dos dias que trabalhamos nele, no final é sempre complicado voltar a trás e explicar concretamente como foi que se chegou aqui. Na verdade, senti a necessidade de fugir ao “homem-orquestra” e de me limitar apenas a um instrumento, embora não pondo de parte que esse mesmo instrumento pudesse ser tocado em muitas camadas. Foi assim que tudo começou.

Ouvindo este teu novo disco somos transportados rumo a uma tela que queremos ansiosamente pintar. O que escreves tu nessa tela em branco?
Essa tela é para ser preenchida pelo filme de cada um de nós, eu terei certamente o meu, mas não quero nunca limitar a imaginação de quem o ouvir!

Há uma magia brutal em cada uma destas composições, em especial nos temas instrumentais. Tens noção de que este é um álbum que vai surpreender muita gente?
Espero que sim, a verdade é que tenho algum receio que as pessoas possam não entender o disco e dessa forma não gostar dele. É claramente menos complexo que os disco anteriores mas achei isso tão bonito que quis finaliza-lo assim. Agora é esperar que as pessoas gostem tanto dele como eu.

Esse efeito surpresa é bom, não achas?
O efeito surpresa é sempre bom, eu pelo menos gosto sempre de ser surpreendido. Agora a mudança pode ser sempre bem ou mal interpretada espero que aconteça o primeiro caso.

“00:00:00:00” é o nome do disco. O que significa?
Como te estava a dizer antes, a ideia é este disco ser a banda sonora para um filme que ainda não existe. Dessa forma, a câmara de filmar está em 00 horas, 00 minutos, 00 segundos e 00 frames, o início de qualquer sequência de imagens.

Um dia perguntei-te se gostarias de fazer uma banda sonora e tu respondeste que sim. É esta a tal banda sonora, David?
Esta é claramente uma das muitas bandas sonoras que espero vir a fazer!

Para quando o filme?
Não te sei responder, mas acredito que um dia o farei.

Tudo no disco é cinematográfico, não há como negar. Como compuseste cada tema? Em que pensavas quando compunhas?
Mais uma pergunta de difícil resposta. Demoro algum tempo a fazer cada música e por esse motivo todas acabam por ser compostas em muitos sítios diferentes e com diferentes ideias na cabeça, dependendo do dia. Há na verdade, um ponto em que a música me satisfaz, mas não depende do que esteja a pensar ou de onde a esteja a fazer, há um ponto em que tudo faz sentido não sabendo eu muito bem porquê, talvez quando me emociono com ela.

Com este novo trabalho o piano substituiu quase por completo a verdadeira orquestra que sempre te acompanhou. Não te sentes sozinho, só tu e o piano?
Não me sinto sozinho, sinto-me com uma companhia diferente (risos). É apenas um piano, mas são bastantes notas e melodias.

Arriscas (será a palavra certa?) temas instrumentais só piano, e depois voltas a arriscar (será?) ao cantar algumas canções em português. Era este o passo em frente natural na tua carreira? Olhas para este disco como um desafio?
Todos os discos são um desafio, uma nova etapa. Neste quis experimentar uma série de coisas novas e fiquei satisfeito. Agora, até ao dia em que se decide fazer algo não existe um passo a seguir ou um caminho já definido. O passo seguinte será apenas fazer sempre o melhor que consiga.

De que forma achas que o teu público o vai receber?
Não sei muito bem, mas espero que o público sinta estas músicas, que as leva com ele e faça delas um pouco da banda sonora dos seus dias. Se isso acontecer já me sentirei concretizado e feliz.

Ao ouvir-te tocar impossível não lembrar nomes de quem tanto gostamos, como Yann Tiersen ou mesmo Nyman. São eles também referências para ti?
A palavra referência é sempre discutível, pois nunca tento ser parecido com ninguém e, pelo contrário, muitas vezes tenho cuidado de fugir a algo que me lembre qualquer coisa. Na verdade, gosto muito dos músicos que referes agora, não sei até que ponto isso pode ser considerado uma influência.

Há no disco e na sua artwork a total ausência de cor. Queres transmitir que o conteúdo é ali o mais importante?
A ideia do artwork vem do conceito do próprio disco, a banda sonora para um filme que ainda não existe. Se o filme não existe, então não podem existir cores nem imagens nem nada que nos dê o “tom” do filme. Por outro lado, a transparência é das poucas coisas que nos permite ver através e isso é muito bonito. Que estas músicas permitam às pessoas ver através delas mesmas!

Confesso que ao ouvir as tuas novas composições consegui imaginar imagens, cenas. Era esta a tua intenção? Que cada ouvinte escreva o seu próprio filme?
Isso mesmo!

É este Noiserv que agora se nos apresenta um músico/pessoa/compositor mais maduro/adulto que tem a “coragem” de fazer um lindíssimo disco conceptual?
Espero que sim! (risos)

Em breve vais para a estrada com a tour de apresentação de “00:00:00:00”. Como vão ser esses concertos?
Acredito que um músico viverá sempre na apresentação das novas músicas mas nunca esquecendo o todo que está para trás, e por esse motivo os próximos concertos serão isso mesmo: a apresentação de novas músicas nunca esquecendo algumas das músicas dos discos anteriores.

Saiba mais sobre o novo disco de Noiserv e a tournée de apresentação aqui.

Por: Sandra Pinto

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