À conversa com Marta Tavares da Silva

Desde sempre ligada ao universo do marketing, área onde fez a sua formação académica,  Marta Tavares da Silva, abraçou em 2009 um novo desafio ao assumir as funções de administradora executiva do Bairro Alto Hotel, uma das mais prestigiadas unidades 5 estrelas da capital portuguesa.

Viveu e estudou alguns anos nos Estados Unidos da América, mais exactamente em Boston, no estado de Massachusetts. Que recordações guarda daquela altura?
Mais do que a experiência a nível académico e a forma muito prática e business oriented que caracteriza os americanos, guardo recordações das muitas pessoas de várias nacionalidades e culturas que aí conheci e de algumas amizades que fiz para a vida. Quando estamos longe de casa, e tão novos, numa cidade em que dois terços da população são estudantes, todos na mesma situação e com as mesmas dificuldades, fazem-se verdadeiros amigos com facilidade.
É uma experiência que recomendo a todos os que tenham a oportunidade de estudar fora, pois torna-nos mais tolerantes para com os outros e responsáveis, porque nos obriga a crescer mais depressa. Tenho histórias hilariantes passadas em Boston, mas também tenho recordações de momentos mais complicados. Valeu a pena!

Portugal e os Estados Unidos: muito mais do que um oceano os separa?
Muito mais, sem dúvida! O povo americano é muito liberal, desenraizado, racional e até um pouco superficial. Os americanos são “formatados” desde cedo para a competição e para o sucesso profissional. Nós somos muito diferentes; somos latinos, vivemos com o coração e as emoções à flor da pele e somos provenientes de um país com séculos de história. Vivemos dos nossos feitos históricos e das nossas descobertas e olhamos para trás, os americanos vivem o presente a pensar no futuro. São culturas completamente diferentes, formas muito distintas de ver a vida. Acho que algures a meio do oceano está o equilíbrio.

Marketing ou comunicação, qual das duas prefere?
É impossível dissociar uma da outra porque a comunicação é parte integrante do marketing, apenas uma das ferramentas do marketing. Mas, o que mais gosto é o marketing estratégico, a gestão das marcas, e a comunicação e a imagem como ferramenta de as promover.

Tendo desenvolvido a sua actividade profissional numa aérea totalmente diferente, como surgiu a oportunidade de trabalhar no Bairro Alto Hotel?
O Bairro Alto Hotel é um projecto familiar com o qual sempre me identifiquei e pelo qual sempre me senti atraída e quando surgiu a oportunidade da minha família adquirir a totalidade das participações do hotel e o meu Pai me lançou o desafio de ficar à frente deste projecto, não pensei duas vezes. Sou determinada e preciso de me sentir inspirada por aquilo que faço. Uma vez que a minha formação não era nesta área, resolvi fazer um Master em Gestão Hoteleira e estagiar noutro hotel antes de integrar a equipa do hotel. Foi o melhor que eu fiz!

Tem a seu cargo a gestão, expansão do negócio e imagem e comunicação. Explique-nos em que consistem.
A minha actividade consiste em assegurar que a estratégia de negócio definida está a ser bem executada, em alterar algumas tácticas caso seja necessário, em controlar a gestão, analisando os resultados de todos os departamentos do hotel e procurar, cada vez mais, aperfeiçoar os métodos de controlo de acordo com os objectivos que nos propomos alcançar, nunca descurando a qualidade do serviço prestado e exigido a um hotel de 5 estrelas. Tento assegurar, utilizando todos os serviços do hotel, que tudo está em ordem para os nossos hóspedes e clientes. Quando alguma coisa não está do meu agrado, acredito que também não o estará para os clientes.
No que à expansão do negócio diz respeito, sou responsável pela execução de estudos de rentabilidade e viabilidade económica de uma possível expansão do negócio, bem como a procura de possíveis financiamentos disponíveis. Por defeito de formação, não poderia deixar de ter a meu cargo a comunicação e imagem da marca, a sua uniformização e consistência na forma como se comunica, seja em que canal for. Acredito que uma marca bem gerida e com notoriedade espontânea, é uma mais-valia.

Todos reconhecem o bairro Alto Hotel como o boutique hotel de referência em Lisboa. Na sua óptica, o que o distingue de outros?
Essencialmente, acho que o distingue o facto de ter sido o primeiro boutique hotel de 5 estrelas em Lisboa – um conceito inovador há quase sete anos atrás -, com uma equipa de excelência que gosta realmente daquilo que faz e se sente bem a trabalhar aqui, que pensa sempre em primeiro lugar no cliente e se esforça para lhe proporcionar um momento inesquecível. Porque é um 5 estrelas e oferece um serviço de luxo, mas ao mesmo tempo é muito despretensioso e próximo do cliente. As pessoas sentem-se bem aqui; não só os nossos hóspedes como os clientes lisboetas, que muitos são já nossos amigos. Acho que fomos o primeiro hotel que abriu verdadeiramente portas para a comunidade local e que encarou a hotelaria de uma forma menos tradicional. E, por fim, e porque tem uma grande relevância, a sua localização de excelência.

Está nos planos expandir a unidade?
Nos planos está, mas por enquanto está só mesmo nos planos…

Desde que assumiu funções tem desenvolvido uma série de actividades de dinamização, sobretudo do bar e do terraço do hotel. Desvende-nos um pouco do que por lá se passa.
O Café Bar BA apresenta-se renovado, com um novo conceito inovador e irreverente, posicionando-se como o spot after-work de Lisboa em parceria com a Wine With Spirit.
A associação com a Wine With Spirit resultou de um almoço com o João Montes em que este me falou de um novo projecto em que estava a trabalhar. Este percebeu de imediato o meu entusiasmo pelo conceito à volta desta marca e apresentou-me a WWS, que inicialmente ainda não tinha data de lançamento prevista para Portugal. Por acreditar que as duas marcas – Bairro Alto Hotel e WWS – partilham dos mesmos valores, do mesmo espírito inovador e irreverente e por sermos um hotel virado para a comunidade local, achei que o Café-bar BA, um sítio propício ao after-work, cosmopolita e moderno, era o local ideal para lançar a WWS em Portugal.
Stories With Spirit são momentos de partilha de experiências de pessoas com histórias para contar. Sejam empreendedores, músicos para partilharem o processo criativo das suas músicas ou escritores que falam sobre a história por detrás de um determinado livro, stand-up comedy encorajando os próprios clientes a participarem e o lançamento de novos conceitos de vinhos da Wine With Spirit, são algumas das iniciativas que vão realizar-se regularmente no Café Bar Ba.
O Terraço sofreu “uma lavagem de cara” em Agosto do ano passado, por forma a tornar o espaço mais funcional e a podermos prestar um serviço de qualidade aos nossos hóspedes e clientes. No entanto, tivemos o cuidado de manter o mesmo estilo romântico e algo rústico que o caracteriza.

Que outras acções estão programadas?
No dia 08 de Fevereiro será apresentado no Café Bar Ba um novo vinho da Wine With Spirit. Não revelando o novo conceito que vamos apresentar posso assegurar que será mais uma marca inovadora, apresentando características diferenciadoras e sempre de acordo com o compromisso da Wine With Spirit de desenvolver um novo conceito de lifestyle, criando vinhos, divertidos e criativos com histórias para contar.
Estamos constantemente à procura de novas formas de surpreendermos e excedermos as expectativas daqueles que nos visitam, por isso podem esperar-se várias novidades para este ano que começa.

Estamos em plena época alta para a pratica do esqui, desporto de que é adepta. Quais as suas estâncias preferidas e porquê?
Sem dúvida, Vail, no Colorado, EUA, pela qualidade da neve, pelo serviço prestado nos hotéis e pelas inúmeras actividades aprés-ski. Os Alpes pelos quilómetros intermináveis de pistas e pela beleza das vilas e o binómio qualidade/preço. A estância de Baqueira-Beret pela oferta gastronómica e pelo aprés-ski. E, finalmente, a Serra Nevada pela proximidade, para “matar o bichinho”, pois não gosto de Andorra.

Se pudesse fazer as malas amanhã qual seria o seu destino?
Acabei de as desfazer…mas tenho que ir muito em breve a Istambul. Tenho muita curiosidade em relação a esta cidade, pela oferta cultural, pela mistura do Oriente com a Europa, pela oferta de hotéis…

Excluindo, por razões óbvias, o Bairro Alto Hotel qual o seu hotel preferido cá e lá fora?
É difícil eleger um hotel cá e lá fora, porque gosto de diferentes tipos de hotéis e existe uma oferta cada vez maior. No entanto, aquilo a que dou mais importância e que sou mais crítica é ao conceito de hotel e se esse conceito é transposto e percebido pelo cliente, em vez de estar apenas escrito no papel ou reflectido na decoração. Um conceito de hotel para ser bem-sucedido tem que ir muito mais além da decoração. O que eu não gosto mesmo é de hotéis para as massas, independentemente do estilo ou tipo de hotel, gosto de hotéis pequenos e acolhedores onde me sinta bem-vinda e não apenas um número.
Em Portugal gosto do Choupana Hills na Madeira, gosto do AquaPura no Douro e estou desejosa por ir ao Areias do Seixo. Mas tenho muitos mais que gosto. A oferta de hotéis em Portugal tem cada vez mais qualidade.
Lá fora, qualquer um dos do Morgans Group, em especial o Mondrian de Los Angeles. Gosto muito da “onda” que se vive nestes hotéis.
Acabei de chegar do Casa Camper, em Barcelona, do qual gostei muito, por ter, de facto, um conceito inovador que tem base por base a sustentabilidade e os serviços mínimos para uma estada agradável, mas de muito bom gosto e qualidade.
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