Coliseu de Lisboa cheio para receber Chico Buarque numa noite de canções e muitas emoções.

Uma noite bonita com Chico Buarque

Não são todos os artistas que conseguem esgotar salas. Mas não são definitivamente todos os artistas que conseguem esgotar salas seis noites seguidas. Ele conseguiu e se mais noites estivessem marcadas mais salas esgotadas conseguiria. Falamos de Chico Buarque, um dos nomes incontornáveis na música brasileira.

Coliseu de Lisboa cheio para receber Chico Buarque numa noite de canções e muitas emoções.

A verdade é que a influência de Chio não se fica pela música do país irmão. Com a sua voz e a sua escrita, Chico Buarque tem vindo a influenciar inúmeros artistas um pouco por todo o mundo. Perante um público variado em idade, mas comum no amor que demonstraram sentir pelo músico, Chico Buarque desfilou num alinhamento de luxo canções que marcaram a carreira dele e as nossas vidas.

Coliseu de Lisboa cheio para receber Chico Buarque numa noite de canções e muitas emoções.

A amizade que tem por Portugal e por nós, seu povo, vem de longe e está para sempre guardada e homenageada na canção que fechou o concerto, Tanto Mar com a qual comemorou o 25 de Abril e o reencontro de Portugal com a Liberdade, dedicando-a a José Nuno Martins, à época um dos seus grandes amigos.

Coliseu de Lisboa cheio para receber Chico Buarque numa noite de canções e muitas emoções.

Mas antes foram muitos os momentos emocionantes que deixaram a sala do Coliseu de Lisboa em suspenso na voz e na figura de Chico Buarque. De cima do palco o sorriso rasgado e o brilho nos olhos azuis faziam perceber o quanto estava feliz por estar ali, por nos ter essa noite como companhia. «Muito bom», murmura quando o público bate palmas a um «fora Tamer», parecendo não reparar na faixa que desde as galerias lembrava Lula.

Coliseu de Lisboa cheio para receber Chico Buarque numa noite de canções e muitas emoções.

Chegou de mansinho, sem fazer alarido para, como quem recebe em sua casa, nos receber de braços abertos. A simpatia com que inundou o palco transbordou para a sala e atacou os corações de todos. A resposta foram palmas, muitas, ovações, várias, e lágrimas, algumas.

Coliseu de Lisboa cheio para receber Chico Buarque numa noite de canções e muitas emoções.

A cada nova canção o renovar dos votos de amor eterno entre Chico e o seu público fiel. Aquele público que sabia os primeiros acordes de “Geni e o Zepelim”, composta por Chico Buarque para o musical Ópera do Malandro, a letra completa de Iolanda, canção dedicada a Cuba escrita em parceria por Chico e Pablo Milanés, ou os compassos de Tua Cantiga, do álbum “Caravanas”, com letra de Chico e melodia do pianista Cristóvão Bastos.

Coliseu de Lisboa cheio para receber Chico Buarque numa noite de canções e muitas emoções.

Nada escapou aos que enchiam a plateia, os camarotes, a galeria da sala de espectáculos lisboeta. Nada faltou, nem os cravos nem as rosas vermelhos, nem a homenagem a Wilson das Neves falecido em 2017, com Chico a interpretar Grande hotel (composta por ambos) com um chapéu igual ao que o baterista e compositor costumava usar.

Coliseu de Lisboa cheio para receber Chico Buarque numa noite de canções e muitas emoções.

No final era a mais pura das emoções aquela que se sentia. Havia no ar um sentimento de partilha e de comunhão espelhado nos sorrisos que se partilhavam entre desconhecidos… a uni-los Chico, sempre o Chico.

Foi bonita a festa, pá! É assim o mundo de Chico Buarque e foi para nós um privilégio fazer parte dele.

Coliseu de Lisboa cheio para receber Chico Buarque numa noite de canções e muitas emoções.

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

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