Tindersticks no São Jorge

Não era novidade, ou melhor não era suposto ter sido novidade, mas foi.

Já tivemos o privilégio de ver os Tindersticks em três dos formatos (?) possíveis: como banda; a “solo”, ou seja, em nome próprio do seu vocalista e mentor, Stuart Staples; ou como criadores de uma banda sonora, no caso dos filmes de Claire Dennis (no âmbito do Indie Lisboa).

A noite começou ao lado da banda, num jantar descontraído em que tanto eles como nós nos preparávamos para aquela que viria a ser uma grande noite. Com início às 21h00, o concerto teve na primeira parte Thomas Belhom que surpreendeu bastante quem ainda não se tinha deparado com a sua musica, nem sempre fácil. Homem de vários instrumentos, o músico francês não deixou ninguém indiferente (ao nosso lado houve quem, ouvidas as primeiras músicas se tivesse levantado para comprar o vinil do seu último trabalho).

Depois chegaram eles, com calma, sem pressas mas com a certeza de saberem exactamente ao que vinham, o que nem seria difícil pois o público português é bem conhecido da banda (no dia anterior tinham tocado, com enorme sucesso, no Festival para Gente Sentada, em Santa Maria da Feira).

Homem de poucas palavras, sendo a mais utilizada “obrigado”, Stuart Staples comandou uma banda que comemora este ano precisamente vinte anos de vida e que sabe exactamente para onde vai e o que procura atingir. “Blood” do álbum homónimo da banda datado de 1993 deu início às hostilidades, que continuaram com “If you’re Llooking For a Way Out”, do álbum Simple Pleasure, de 1999, “Dick’s Slow Song”, incluído em Curtains, de 1997, e “Chocolate”, “Show Me Everything”, “This fire of Automn” e “A Night so Still” do último trabalho do grupo. Seguiu-se “Don’t Ever Get Tired”, do álbum Can Our Love, de  2001, novamente uma visita a Simple Pleasure de 1999 com “Torn” e “I know That Loving” e o regresso a The Something Rain, com “Slippin Shoes”, “Frozen” e “Come Inside”.

O público aplaudiu na hora certa e a banda agradeceu no momento exacto. Nada de exageros, nada de vedetismo, como dois amigos que se encontram e trocam ideias. Foi assim num São Jorge cheio, onde ninguém arredou pé, à espera do encore. E veio, não um, mas dois. No primeiro a banda de Staples encantou o público com ” 4.48 Psychosis”, do álbum Waiting for the Moon, de 2003, e “Cherry Blossons” e “Factory Girl”. No segundo e último regresso ao palco os Tindersticks trouxeram “Medicine”, o primeiro single do último trabalho, que Staples já tinha interpretado no concerto a solo na edição 2011 do festival Sintra Misty, e “Goodbye Joe” do mesmo registo discográfico.

Novamente a banda de Nottingham não deixou defraudadas as expectativas dos muitos fãs que fielmente seguem a sua carreira e que lhes descobrem em cada concerto,  a cada música um novo motivo para decidirem que “no próximo concerto, cá estaremos”.

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

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