SBSR 2016 Dia II Massive Attack a agitar consciências

E ao segundo dia a iguana ganha vida como prova de que o rock and roll está vivo e recomenda-se. Imparável, Iggy Pop foi o senhor da noite, enquanto os Massive Attack agitaram consciências.

Petite Noir > Pista

No palco EDP a música juntou-se ao calor para com Petite Noir darmos inicio ao segundo dia do festival. Filho de mãe angolana e de pai congolês, Yannick Ilunga nasceu na África do Sul, residindo hoje m Londres. Ao Super Bock Super Rock trouxe o seu “noirwave”, onde descobrimos as por demais evidentes influências de nomes como Joy Division, Echo & The Bunnymen ou Talking Heads. Num crescendo de entrega por parte da banda e de público na plateia, o concerto foi, como não podia deixar de ser, muito bom. Talvez tenha faltado o breu da noite para que o carisma da Petite Noir se evidenciasse ainda mais.

No Placo Antena 3 eram os portugueses Pista que animavam o público, com umas batinas enérgicas de toques tropicais. A ajudar o grande Alex D’Alva Teixeira que em cima do palco mostra a raça do grande artista que é, «é preciso que tornem a música portuguesa mais conhecida», diz ele não parando de puxar pelo entusiasmo da audiência.

Kwabs > Bloc Party

No Palco EDP era a voz de Kwabs que se fazia ouvir. Oriundo de Londres, o artista trouxe ao Super Bock Super Rock a sua soul de contornos suaves e cativantes.

Momento nostálgico? A verdade é que os concertos dos Bloc Party fazem sempre saltar em nós a memória daquelas canções icónicas e que servem de alavanca à sua carreira. Não sendo a banda de outros tempos, cumpriram no que diz respeito à interpretação dos grandes clássicos com Kele Okereke sempre aos comandos. Quanto ao resto…Enfim, a nosso ver já cumpriram a sua missão.

Rhye > Massive Attack & Young Fathers

Plateia a meio termo de gente e entusiamo foi a que encontrámos no Palco EDP onde Rhye encantava com a sua traquila doçura. A dupla Milosh e Robin Hannibal aliam nas sua composições a soul e o R&B a uma pop eletrónica cheia de melodia e inúmeras subtilezas musicais. “Open” e “The Fall” foram as mais aplaudidas do alinhamento.

Há vida no rock and roll e grande parte dela está com Iggy Pop, a iguana que em palco ganha uma amplitude brutal demonstrando que a música está no corpo e na alma de quem a ama. Eramos muitos rendidos mais uma vez ao poder de Iggy Pop cuja figura de 69 anos de idade nos faz pensar em como os deuses são bons para alguns seres humanos… Figura maior do rock mundial, que ao lado de Bowie nos ensinou o poder e a beleza do rock, Iggy deu um concerto verdadeiramente memorável. O alinhamento deixou estasiados os fãs mais antigos e fiéis que, tal como Iggy em cima do palco, não pararam um segundo que fosse, como se em conjunto quiséssemos agarrar a vida que nos resta, guardá-la para sempre nos lembrarmos que o poder do rock é este mesmo: arrancar de nós tudo o que podemos dar, com uma entrega ímpar que em troca nos faz sentir vivos…vivos, é disso que se trata.

Mas a música pode também servir de veículo de sonhos, de ideais. Exemplo maior foi o concerto dos Massive Attack que dois anos depois de terem passado Meco regressaram na companhia dos Young Fathers. “Are you in control?”, “Who decides what you see?”, “Who are you?” vão desfilando no ecrã por detrás da banda num agitar de consciências. Do alinhamento “Safe From Harm” e “Karmacoma” e, do novo EP, “Voodoo In My Blood”. Concluem com a declaração de que «together we can succeed and create a more equal world”. Com tudo o que se tem passado temos as nossas dúvidas, mas vamos acreditar.

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

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