NOS Alive 2014 Dia I

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Esgotado, o primeiro dia da edição 2014 do Optimus Alive, em breve chamado de NOS Alive, levou uma multidão ao Passeio Marítimo de Algés. Calor e sol deram as boas-vindas aos festivaleiros que vinham em busca da música durante meses anunciada por um cartaz tentador. Certo é que, mudando de nome, o festival não muda de filosofia, crescendo ano após ano para ser um dos mais importantes eventos de música na Europa. Cativando público no Reino Unido e em Espanha, nacionalidades que percebemos estarem bem presentes neste primeiro dia, o agora NOS Alive mantém-se como um dos incontornáveis eventos culturais do Verão nacional.

Temples > The Lumineers

Coube a Ben Howard a enorme honra de abrir a última edição do Optimus Alive com este nome. E foi debaixo de um sol abrasador que o músico britânico inaugurou o já designado Palco NOS. Mas a primeira actuação deste ano foi morna apesar do calor (que agradou aos muitos turistas presentes no festival). Ben Howard não vem de longe nem teve estreia absoluta no Alive deste ano. Não é um músico sempre nos tops nem faz parte da caderneta de cromos pop que as rádios tocam até à exaustão. Mas o público que às 18h se juntou em frente ao palco principal fazia pensar o contrário: crianças e jovens (muito jovens, acompanhados de adultos até) gritaram por Ben Howard como se estivessem no Sudoeste, festival onde o músico se deu a conhecer ao público português. O concerto foi competente, a banda agradou. Os hits fizeram-se ouvir e recolheram o entusiasmo correspondente – de “Only Love”’ a “Keep Your Head Up”. Mas o músico não conseguiu encher o palco nem superar as expectativas dos festivaleiros. Nem mesmo marcar a abertura do evento. De camisa abotoada até ao pescoço (com uns ameaçadores 30 graus) e óculos escuros, foi um Ben Howard tímido, em ligação directa com a sua guitarra, a esboçar envergonhados sorrisos ao público. Não que tenha sido frio (nem conseguia, mesmo que tentasse). Só não consegui ultrapassar o fosso que separava o palco maior do Alive e o público entusiasta com energia acumulada para três dias de festival. Ele que encanta nos acústicos…

Continuámos a maratona no Palco Heineken, onde os Temples fariam por fazer valer e muito o facto de termos corrido para os ver. Vindos do reino de sua majestade, a banda demonstrou uma maturidade bem superior aos seus dois anos de vida. O alinhamento, todo ele assente no seu primeiro álbum, “Sun Structures”, deixou rendidos os muitos que àquela hora enchiam a frente do palco Heineken. Com um começo meio trôpego causado pelos problemas de som, rapidamente a banda deu a volta ao texto trazendo a Algés a mais pura das heranças do psicadelismo da década de 70. Mas não se pense que por ali sobreviver o melhor do psicadelismo que esta é uma banda com um som démodé. Longe disso pois os Temples transportam no som uma evidente modernidade que complementa na perfeição a herança dos anos 70. Apesar de pouco terem interagido com o público, os jovens músicos mostraram-se felizes por estar por cá, «é a nossa primeira vez em Portugal e está a ser excelente», afirmaria o vocalista, James Bagshaw. Das músicas que fizeram deste o melhor concerto do primeiro dia do festival destaque para “Keep In THe Dark”, bastante aplaudida, a hipnótica «Shelter Song», «Colours To Life» e «Mesmerise». Mas os músicos fartos em cabelo e diminutos em peso, passaram a barreira do álbum ao trazerem a palco «Ankh», música que apenas tocam ao vivo. Querem apostar que, não tarda nada estão de volta a Portugal para um concerto em nome próprio? Nós ficaríamos felizes.

Enormes candeeiros enfeitavam o Palco NOS onde The Lumineers fariam as delícias de um imenso público que com eles vibrou, dançou e cantou. Claro que «Ho Hey» estava na lista das mais desejadas, mas como que em preparação todos se deixaram levar por «Ain’t nobody’s problem, but my own», «Flowers In Your Head» e a versão da banda para «Subterranean Homesick Blues» de Bob Dylan. Num concerto cujo balanço se pode afirmar feliz, Wesley Schultz, o vocalista, fez um pedido «baixem os telemóveis. Queremos que estejam connosco» o qual foi acatado por quase todos. «Elouise» marcaria mais um ponto alto do concerto quando o vocalista desce do palco para a cantar desde a plateia.

The 1975 > Imagine Dragons

Mathew Healy, o vocalista dos The 1975, bebe vinho tinto directamente da garrafa enquanto brinda o público com poses pensadas por alguém que tem a certeza de ser fisicamente apreciado pelo público feminino. Baseando a sua actuação no álbum homónimo, a banda animou a plateia com interpretações apaixonadas de «Settle Down», «Robbers» e «Chocolate», um dos maiores hits. A fechar «Sex» e selfies tiradas pelo vocalista com algumas fãs.

Os Imagine Dragons dividiam com os Arctic Monkeys o posto dos mais desejados, pois era entre as duas bandas que se repartiam as ambições musicais de grande parte do público. Espalhados pela frente do Palco NOS, os muito grupos de jovens que tinham vindo ver a n«banda oriunda de las Vegas (tantos que obrigaram a organização a transferir a banda de palco) aguradavam pacientemente para ouvir as múiscas que tão bem conhecemos de tanto passarem na TV e na rádio. Dan Reynolds, o simpático e alegre vocalista consegue cativar os muitos que não despregam os olhos e os ouvidos do palco. «Hear Me» deu o arranque ao concerto que a meio traria uma surpresa, a versão dos Imagine Dragons para «Song 2» dos Blur. «Demons» e «Who We Are» foram muito aplaudidas, mas claro, não tanto quanto «Top Of The World» e «Radioactive» tendo esta última fechado o concerto com chave de ouro.

Interpol > Elbow

Somos daqueles que já os viram em nome próprio numa sala fechada e com a plateia repleta de fãs, pelo que podemos afirmar, os Interpol são excelentes. Em ambiente festivaleiro e com o alinhamento de ontem perderam um pouco da força mas não a qualidade. Se era o público certo? Não, mas isso não impediu a banda nova-iorquina de dar boa música, tendo passeado o alinhamento por «Say Hello To The Angels», «Narc», «C’Mere», «Evil» e «Obstacle 1», canções comandadas pela voz inconfundível de Paul Banks. Ao longo de 12 anos os Interpol foram consolidando uma carreira feita de concertos memoráveis e bons discos, estando para breve o lançamento de um novo álbum testado com as músicas «My Desire» e «Everything». Para o final «Slow Hands» e despedimo-nos deles até…a um coliseu um dia destes.

A plateia dividia-se entre portugueses e britânicos, ou não fosse esta última a nacionalidade dos Elbow que neste regresso a Lisboa voltaram a dar cartas. Ao palco Heineken trouxeram «The Take Off and Landing Of Everything», de onde sai «Fly Boy Blue/Lunette», anunciada pelo vocalista Guy Garvey como uma canção sobre três coisas que podem causar problemas «beber, fumar, e a parte de trás do pescoço de uma mulher». Já «Real Life (Angel)» é executada depois de Guy Garvey aconselhar «se o teu amigo estiver de coração partido, manda-o para um bar, tomar umas drogas, e esquecer o assunto». Em frente aos Elbow a faixa etária subiu consideravelmente se comparada com a que enchia grande parte do recinto para ver a maioria dos concertos. «One Day Like This» fechava da melhor forma o concerto onde Garvey pediu aos presentes «vamos fazer mais coisas estúpidas juntos».

Arctic Monkeys

Entre o Coliseu de Lisboa, o Campo Pequeno, o Super Bock Super Rock e agora o NOS Alive são já várias as vezes que nos cruzámos com os macacos do Ártico. Aqui confessamos que somos fãs da banda de Alex Turner, de quem gostámos mais aquando da faceta de bad boy do rock do que o ar rockabilly inspirado em Elvis Presley, talvez por isso mesmo o mais recente trabalho dos Arctic Monkeys seja o que menos nos agrada e como tal é o único que não consta da prateleira dos vinis cá de casa.
Alex Turner, Matt Helders, Jamie Cook, e Nick O’Malley cresceram mostrando agora um ar de adultos very cool que tanto agrada à geração dos vinte e poucos que agora os descobre como se fossem a mais recente novidade do universo musical britânico. Testemunha desta nossa afirmação? O número de t-shirts do último álbum da banda “AM”.
Em cima do palco mostravam-se competentes, apesar dos som não lhes fazer a devida justiça. «Do I Wanna Know» retirado de “AM” abre o concerto dando origem de imediato a uma primeira onda de, digamos loucura. Seguiram-se «Snap Out Of It» e «Arabella», do mesmo registo discográfico. Pouco ou nada falaram além dos habituais «nós somos os Arctic Monkeys de High Green» e «obrigado» (em português) mas o público não pareceu importar-se com isso. «Knee Socks» antecipa «My Propeller» e segue-se a «Dancing Shoes» originando danças e agitação de ancas mais ou menos sensuais, de acordo com o jeito de cada um para se abanar. Alex dedica «I bet that you look good on the dance floor» às «raparigas» assim como «Fluorescent Adolescent». No alinhamento seguem-se «Nº1 Party Anthem», de “AM”, e «She’s Thunderstorms», de “Suck It and See”, com «505» pelo meio. Para o encore estavam guardadas com «I Wanna Be Yours» e «R U Mine» a qual fechou o concerto.


A equipa Look Mag ficou alojada no íbis Alfragide. Localizado a poucos quilómetros do recinto do festival, a unidade hoteleira recebeu os festivaleiros com toda a comodidade. Pequeno-almoço até ao meio dia e wi fi grátis em todos os espaços da unidade fizeram a diferença. Equipado com estacionamento privado destinado aos hóspdes, o ibis Alfragide surge como a escolha certa para quem quer aproveitar ao máximo os dias de música e animação do festival que a partir de agora dá pelo nome de NOS Alive. Mais sobre as condições da ibis para os festivais de verão em https://lookmag.pt/blog/ibis-e-os-festivais-de-verao/.
Para reservas: http://www.accorhotels.com/pt/hotel-5270-ibis-lisboa-alfragide/index.shtml

Texto: Sandra Pinto e Filipa Moreno (Ben Howard)
Fotos: Luís Pissarro e Arlindo Camacho NOS Alive (Arctic Monkeys)

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