Joan Baez no Coliseu de Lisboa, um adeus sentido

O Coliseu dos Recreios recebeu o primeiro concerto da última digressão de Joan Baez. O principio do fim aconteceu em Lisboa num momento de emoção e muita felicidade.

Ninguém diria que conta já com 78 anos. Em excelente forma, foi com uma tremenda energia que Joan Baez cantou no Coliseu da capital, seis décadas de carreira.

Do reportório que apresentou em Lisboa faziam parte algumas das mais emblemáticas canções dos anos 60, hinos de luta pela liberdade que integraram a banda sonora de uma geração lutadora dos seus ideais. Naquela noite muitos estavam no Coliseu de Lisboa. Homens e mulheres cuja passagem do tempo traziam marcada nos corpos e nos rostos, mas que nos olhos traziam um brilho único, o brilho da eterna juventude, da chama que a passagem dos anos não consegue apagar.

A emoção que inundava a sala só tinha comparação na entrega com que Joan Baez cantava cada hino. Percebia-se que aquele era o seu público e que era ali que a cantora queria estar. Percursora do folk dos anos 60, e responsável pela sua evolução no decurso das décadas seguintes, Baez apresenta-se em palco acompanhada do filho. Antes de começar agradece as palmas com que o público brinda a sua entrada em palco para de seguida avançar com “Don’t Think Twice”, “There but for Fortune” e “Farewell Angelina”.

Porque as músicas têm um contexto, Baez foi explicando o que antecedia o nascimento de cada canção, de Trump a Obama, dos emigrantes às mulheres, de todas as lutas se compõem as músicas que Joan Baez transporta na voz. A mesma voz que nos surpreendeu a todos com uma versão de Grândola Vila Morena, cantada a ua só voz pelo público que enchia o Coliseu.

A passagem do tempo foi algo sempre presente durante as quase duas horas de concerto, sendo dos momentos mais emocionantes da noite a interpretação de “Hello in There”, sobre ser idoso e que levou Joan a afirmar «agora também já sou velha», de “Another World”, original de Antony and the Johnsons, uma homenagem à vida, e de “Forever Young”, um dos hinos da sua juventude que nos emocionou de uma forma inexplicável.

Sai fazendo sinal de que precisa de descansar. Nos braços leva um ramo de flores oferecido por uma fã. Em nós deixou um profundo sentimento de gratidão e felicidade. Obrigada e até sempre, Joan.

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

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