Indiegente Live 2019 Uma noite entre amigos

Se há ditado com o qual não concordamos é aquele que diz para não voltarmos aos lugares onde já fomos felizes. Nunca percebi bem o conceito pois nada nos impede de voltar a repetir a dose de felicidade já vivida. A dar corpo e consistência a esta nossa opinião está a noite de sábado. Há um ano estávamos a viver, felizes, a primeira noite do Indiegente Live no LAV – Lisboa Ao Vivo e no último sábado, foi com uma tremenda felicidade, que voltámos para participar na segunda edição.

Pensado, idealizado e concebido por Nuno Calado, o Indiegente Live tem como objectivo trazer para cima do palco o programa homónimo ao qual o radialista dá vida desde há 22 anos na Antena 3. O happening deste ano, como lhe gosta de chamar o seu mentor, juntou em palco bandas de referência do panorama musical português, entrelaçadas com novos valores da música nacional. Pelo meio um pouco de burlesco e alguma poesia. Estranho? Só se for para quem não marcou presença, pois para os outros tudo fez sentido.

Com transmissão em directo na Antena 3, as hostilidades musicais tiveram início às 22h00 com Nancy Knox que em palco surgiu na companhia do radialista da SBSR e músico, Tiago Castro. Primeira música despachada entra em palco João Cabrita para dar uma preciosa mãozinha ao momento seguinte, em que a vocalista assume o comando do que se passa, tomando o pulso ao terreno onde se move fazendo dele o seu cenário de guerra…musical, entenda-se.

Verdadeiro patchwork musical, o conceito de Indiegente Live tem como objectivo principal misturar músicos, que, muitas vezes, oriundos de géneros musicais bastante distintos encontram ali, naquele momento um ponto comum sobre o qual trabalham dando origem a colaborações inusitadas mas tantas vezes perfeitas. É exactamente essa a verdadeira beleza do evento, mostrar que temos mais pontos em comum que nos unem dos que diferenças que nos separem.

Voltando ao alinhamento, seguiu ele com Dead Club com a primeira incursão dos artistas plateia adentro. Uma palavra ao jogo de luzes que deu um toque muito especial a esta actuação. «Viemos trazer um pouco de igreja a este ambiente tão bonito que se vive aqui hoje», refere Selma Uamusse que sobe a palco na companhia do músico e marido Toni Fortuna. Juntos dão corpo ao projecto KNOT3, que no Indiegente Live teve como terceiro elemento o saxofonista João Cabrita. Sem tempo a perder pois a noite apresentava-se longa, era já altura dos Algumacena entrarem em palco com a sua energia contagiante personificada na figura que nos é tão querida de Alex D’Alva Teixeira, para nós um dos grandes valores da música nacional actual.

Tal como se tivéssemos a degustar uma refeição de excelência num restaurante de alto gabarito, era altura de no Indiegente Live tomarmos um limpa palato que não ganhou a forma de sorbet de lima mas de poesia musical declamada pela voz grave do radialista Paulo Lázaro, que subiria a palco mais um par de vezes para declamar Nuno Rebelo, Adolfo Luxúria Canibal, João Peste ou Fernando Pessoa.

A festa, no sentido literal da palavra, seguiu com os Pista, que na companhia de Alex D’Alva Teixeira, inundaram o LAV com um certo tropicalismo pontuado por calorosos toques africanos. Um claro apelo à dança em que ninguém se fez de rogado. Afinal estávamos todos ali para ser felizes outra vez, lembram-se?

«Boa noite Lisboa, obrigada pelo convite», afirma Miguel Fonseca, vocalista dos Plastica, banda formada em 1998 que se reuniu para participar nesta celebração e encontro de amigos. Mas os Plastica não vieram sozinhos, pois com eles trouxeram Manu De La Roche, uma das principais referências do burlesco nacional. A beleza e a sintonia conseguida entre a música dos Plastica e a sensualidade de Manu foi, claramente, um dos momentos mais deliciosos da noite! Delicioso não será a palavra certa para descrever o momento que se seguiu, mas incrível é certamente. E é-o porque em palco surge João Cabrita com o seu novo projcto homónimo, a quem se juntam Paulo Furtado aka The Legendary Tigerman e o anfitrião da noite, o próprio Nuno Calado. Se houve um momento que retratou o ambiente que se viveu toda a noite do LAV, foi este. Uma verdadeira noite entre amigos.

Depois dos Vaiapraia, que chegaram com um forte statement «olhar de frente para a guerra contra o pensamento, contra as ideias, contra a imaginação», e de mais um momento de declamação de Paulo Lázaro, surgem em palco The Parkinsons e estava lançado o mote para o resto da noite: energia a rodos para não deixar nenhum esqueleto quieto, nenhuma mente tranquila. A palavra de ordem? Agitação daqui até ao fim da noite. Se ela chegou em grande com a banda de Coimbra, seguiu com uma inacreditável pujança com a entrada em cena de Rui Sidónio, o vocalista dos Bizarra Locomotiva que, depois de um duo com Afonso Pinto e de ter pegado às cavalitas o guitarrista Victor Torpedo, deu ao público um dos mais intensos momentos da noite! Como sempre, em grande!

Com a aproximar do fim da festa, a adrenalina estava em alta e assim continuou com a entrada em cena das Anarchicks. Puro rock and roll que jorrou de cima do palco em doses certeiras. Na companhia de, primeiro, Alex D’Alva Teixeira, depois de Rui Maia nas teclas e, por fim, de Afonso Pinto, o vocalista dos The Parkinsons, num dueto, as meninas do rock deram bem conta do recado!

E por falar em energia do rock que melhor seguimento da noite do que os nossos queridos amigos Ricardo Ramos e Beatriz Rodrigues dos The Dirty Coal Train? Primeiro com Algumacena e depois com Tó Trips, dos Dead Combo num momento que não foi ensaiado, como referiu Beatriz, a banda trouxe até ao LAV o seu rock and roll explosivo, catártico até.

Quase 3 horas da manhã e alinhamento quase completo, era altura de fazer entrar a última banda. Primeiro chega Nick Suave, «o homem do Barreiro Rocks», como explica Beatriz, que toma conta da bateria. Depois, um a um, entram em palco os restantes membros dos The Act-Ups. Num primeiro momento partilham o palco com os Dirty Coal Train, durante o qual Beatriz mostrou bem de que matéria é feita e essa é composta por muitas moléculas de rock o que deu origem a uma actuação incrível cheia de garra e muita energia. Depois são eles que tomam, e bem, conta do palco.

Hora de dizer adeus. No ar a voz de Nick Suave diz o que todos pensamos, «parabéns ao Nuno Calado e obrigada por tudo».

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

Tiago Castro

Nancy Knox

Dead Club

Toni Fortuna e Selma Uamusse, os KNOT3

Algumacena

Paulo Lázaro

Alex D’Alva Teixeira e os Pista

Plastica

Manu De La Roche e Plastica

João Cabrita

Paulo Furtado

Vaiapraia

Victor Torpedo dos The Parkinsons

The Parkinsons

Rui Sidónio, dos Bizarra Locomotiva, e The Parkinsons

Bizarra Locomotiva

Anarchicks

Beatriz Rodrigues dos The Dirty Coal Train

Tó Trips

Ricardo Ramos dos The Dirty Coal Train

Nick Suave e Dirty Coal Train

The Act-Ups

Nuno Calado




Fiquem atentos pois vamos ter mais fotos e vídeos em breve.

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