“Exposição Invisível” chega à Culturgest com curadoria de Delfim Sardo

“Exposição Invisível” propõe uma viagem pelas diversas abordagens que os artistas visuais fizeram ao universo do som ao longo do último século.

Compreendendo obras históricas de autores como Kurt Schwitters, Raoul Hausmann, Marinetti ou Luigi Russolo, a exposição desenha um arco que passa por alguns dos nomes mais importantes da contemporaneidade artística internacional, como Joseph Beuys, Joan Jonas, Rodney Graham, Michael Snow ou Bruce Nauman, fazendo as suas peças conviver com obras de artistas portugueses de referência nesta área, como Luisa Cunha, Ricardo Jacinto, Julião Sarmento ou Pedro Tudela.

Longe de afirmar-se como uma retrospetiva da chamada “arte sonora”, A Exposição Invisível propõe um percurso por algumas das mais significativas obras de artistas que, não tendo no som o seu meio de expressão exclusivo, ou mesmo preferencial, a ele recorreram para propor ao espectador experiências que tomam a audição como sentido predominante.

Como seria de esperar, as vozes dos próprios artistas – o seu instrumento sonoro por excelência – têm aqui uma presença transversal: através delas estabelecem-se narrativas (The Anchor Stone, de Joan Jonas), exploram-se os limites da poesia (Poèmes Phonètiques, de Raoul Hausmann), comanda-se a imaginação (Tribu, de Julião Sarmento) ou prescrevem-se comportamentos (Luisa Cunha ou James Lee Byars).

Pese embora a constante presença da voz, a exposição oferece inúmeros outros momentos onde o som sai desse domínio para sublinhar a noção da passagem do tempo (One Million Years, de On Kawara), para sinalizar ações disruptivas ou insondáveis (Working Title (Digging), de Ceal Floyer, ou FlexoTan, de Pedro Tudela), para ouvir o futuro (Parsifal 1882-38.969.364.735, de Rodney Graham), para percorrer um espaço que não está lá (Escutura, de Laura Belém) ou para sentir os fantasmas que habitam as salas da Culturgest (Diplopias, de Ricardo Jacinto).

Como complemento à convivência de instalações sonoras e de peças mais intimistas para serem ouvidas com auscultadores, a exposição inclui ainda um conjunto de momentos singulares a ocorrer noutros espaços, dentro e fora da Culturgest.

NO ÂMBITO D’A EXPOSIÇÃO INVISÍVEL

Através destes, poderemos acompanhar propostas recentes dos portugueses Ricardo Jacinto (concerto-instalação MEDUSA Unit, na Garagem da Culturgest, no dia 29 de novembro) e Jonathan Uliel Saldanha (instalação áudio multicanal Swarming Decay, nas Carpintarias de São Lázaro, de 26 de novembro a 10 de janeiro).

Podemos ainda testemunhar ao vivo, e numa oportunidade rara, a versão para concerto de A Man in a Room, Gambling, originalmente concebida por Gavin Bryars e Juan Muñoz, num concerto de Gavin Bryars com o Quarteto Lopes-Graça, no Grande Auditório da Culturgest, a 29 de outubro.

Por último, ainda relacionado com A Exposição Invisível, na conferência Matéria Sonora, um antropólogo (Pedro Félix) e um historiador (Luís Trindade) conversam, no Pequeno Auditório, no dia 1 de outubro, sobre a exposição para perceber de que forma o som e as artes visuais se relacionam com o tempo, matéria de trabalho dos historiadores, uma conversa realizada em parceria com o Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa.

Exposição Invisível
De 26 de Setembro a 10 de Janeiro
Culturgest
Curadoria de Delfim Sardo

REGRAS DE ACESSO, LOTAÇÃO E PERMANÊNCIA:
De acordo com as recomendações da Direção Geral de Saúde, o acesso aos edifícios da Culturgest, tanto em Lisboa como no Porto, é feito mediante uso obrigatório de máscara, sendo necessária a desinfeção das mãos com álcool gel disponibilizado no local.
Nos auditórios, a lotação é adaptada de forma a respeitar as normas de higiene e distâncias de segurança.
Nas galerias, salvaguardando a distância de segurança mínima de 2 metros entre visitantes, a lotação máxima da galeria é de 20 pessoas, em Lisboa, e de 10 pessoas, no Porto. Na livraria da Culturgest Lisboa, para além de máscara, é ainda obrigatório o uso de luvas descartáveis, providenciadas no local.

BILHETEIRAS
Encontram-se abertas as bilheteiras relativas aos espetáculos de setembro e outubro (com excepção do Doclisboa, cujas bilheteiras para sessões realizadas no período de setembro a dezembro, abrem a 7 de outubro).
No dia 1 de outubro, abrem as bilheteiras dos espetáculos de novembro e dezembro.
Horário das bilheteiras: de terça a domingo, das 13:00 às18:00 e, em dias de espetáculo, até ao início do mesmo.
Para mais informações contactar [email protected]

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