Explosions In The Sky trazem uma explosão de post-rock à Aula Magna

«Boa noite. Obrigado por estarem aqui. Esta noite celebramos 20 anos e é um prazer estar de regresso a Portugal. Somos os Explosões no Céu. Vamos começar». E foi assim, em português que o simpático guitarrista Munaf Rayani anunciou ao que vinham.

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

Nascidos em Austin, no estado norte-americano do Texas, os Explosions in the Sky colocaram o post-rock no mapa, juntamente com nomes como Mogwai, Mono ou Godspeed You Black Emperor. Ao longo de duas décadas, os norte-americanos tornaram-se num das maiores referências do género, editando álbuns marcantes como “Those Who Tell The Truth Shall Die”, “Those Who Tell The Truth Shall Live Forever” (2001) ou “The Wilderness” (2016), e dando ao mundo incríveis bandas sonoras, como “Lone Survivor” (com Mark Wahlberg) e “Manglehorn” (com Al Pacino).

Em 2020 celebram 20 anos, data que decidiram comemorar com uma tour que passou por Lisboa. Conhecidos por darem concertos desvastadoramente intensos, a banda não deixou a fama por mãos alheias e fez justiça a ela. De facto, quem encheu por completo a sala da Cidade Universitária teve o privilégio de assistir a um concerto musicalmente perfeito e emocionalmente intenso.

O quarteto, que em palco surge com um quinto elemento, abriu a noite com “A Song for Our Fathers”, do registo de 2000 “How Strange, Innocence”, uma composição de quase seis minutos que tem inicio com o co-fundador Michael James a arranhar de forma intensa as cordas da sua guitarra eléctrica para simular o som das pás de um helicóptero militar a cortar o ar.

Das intros mais tranquilas, a banda emerge numa secção mais pesada e intensa onde a distorção ganha forma acompanhada pelos riffs das guitarras. Servindo de pano de fundo, surge a bateria de Christopher Hrasky cuja batida dá a cadência certa à neblina que vai toldando o palco por entre flash de luzes coloridas.

O alinhamento percorreu durante praticamente uma e meia os álbuns gravados na década de 2000 tendo o concerto terminado sem direito a encore com “The Only Moment We Were Alone“ retirada do álbum “The Earth Is Not a Cold Dead Place”, de 2003.

Pelo meio, uma narrativa musical composta por nove andamentos (se nos é permitida a analogia com a música clássica) através dos quais fomos transportados para territórios etéreos onde música e emoção se harmonizam em composições intensas.

Excelente concerto onde a banda destacou os seus pontos fortes: rock intenso e poderoso, guitarras transcendentais que alinham melodias incandescentes, com uma secção de ritmo sintonizada e versátil.

Vinte anos depois, os rapazes sabem bem o que fazem e fazem-no bem!


Setlist
01 – A Song for Our Fathers
02 – Catastrophe and the Cure
03 – Yasmin the Light
04 – Greet Death
05 – Disintegration Anxiety
06 – Your Hand in Mine
07 – Have You Passed Through This Night?
08 – The Birth and Death of the Day
09 – Magic Hours
10 – Colors in Space
11 – The Only Moment We Were Alone

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