Evil Live Open Air 2025 dia III: A consagração dos portugueses Gaerea e a confirmação dos Falling In Reverse

O terceiro e último dia do Evil Live Open Air 2025 foi marcado por uma atmosfera de apoteose e consagração. Sob um céu carregado de expectativa e paixão, o público foi brindado com performances que deixaram marcas profundas na memória coletiva do festival. De um lado, os portugueses Gaerea elevaram o black metal nacional a um novo patamar, protagonizando um dos momentos mais intensos e reverenciados do evento. Do outro, os norte-americanos Falling In Reverse provaram, com um espetáculo envolvente e energético, que já não são apenas uma promessa, são uma certeza consolidada no panorama internacional do rock moderno. Um dia que celebrou não só a diversidade do metal, mas também o poder de bandas que, com identidades distintas, conquistaram o seu lugar entre os gigantes.

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

Quando os Gaerea subiram ao palco no terceiro dia do Evil Live Open Air 2025, havia no ar uma sensação de antecipação quase palpável. Com rostos ocultos pelas icónicas máscaras negras e uma presença cenicamente austera, o coletivo portuense transformou o recinto num ritual sonoro de intensidade rara. Aquilo que se viveu não foi apenas um concerto, foi uma experiência catártica. A atuação arrancou com uma entrada devastadora, mergulhando o público num turbilhão de riffs sufocantes, blast beats implacáveis e atmosferas densas que pareciam envolver cada alma presente. O som, limpo e poderoso, valorizou a complexidade das composições e a fúria controlada que caracteriza os Gaerea. A comunicação com o público foi feita sobretudo através da música e da postura, numa entrega total à arte. E foi precisamente essa contenção expressiva que tornou tudo ainda mais intenso: o silêncio entre os temas dizia tanto quanto os gritos guturais que ecoavam pelo recinto. No final, o aplauso foi estrondoso. Os Gaerea não só corresponderam às expectativas, ultrapassaram-nas. Provaram que o black metal português tem voz, tem identidade, e tem um lugar merecido entre os maiores nomes do panorama internacional. Uma atuação memorável, que ficará inscrita como um dos pontos altos desta edição do Evil Live.

Após alguns anos de menor atividade, os suecos Adept regressaram aos palcos portugueses com uma força renovada e o público respondeu à altura, mergulhando de cabeça num set que soube equilibrar nostalgia e fúria contemporânea. Logo nas primeiras notas, ficou claro que a banda não veio para cumprir calendário: os Adept atacaram com a ferocidade que os tornou um nome incontornável do post-hardcore europeu nos anos 2000. A voz de Robert Ljung continua a ser uma arma certeira, alternando entre gritos rasgados e passagens melódicas com uma fluidez impressionante. Com um som coeso e uma entrega física total, os Adept mostraram que, apesar do tempo e das mudanças na cena, continuam a ter algo importante a dizer. No final, ficou a sensação de que este concerto não foi apenas um regresso, foi uma afirmação. Adept estão de volta, e estão em forma.

A passagem dos Jinjer pelo Evil Live Open Air 2025 confirmou aquilo que muitos já sabiam: os ucranianos são uma das bandas mais impactantes e consistentes da cena metal moderna. No terceiro dia do festival, entregaram um espetáculo coeso, brutal e tecnicamente irrepreensível, deixando claro por que razão são hoje um nome incontornável nos grandes palcos do mundo. A vocalista Tatiana Shmayluk dominou o palco com uma presença magnética e feroz, alternando entre guturais demolidores e linhas melódicas cristalinas com uma fluidez que parece desafiar a lógica. Cada palavra, cada gesto, cada olhar carregava a intensidade de quem canta com o peso do mundo às costas. Jinjer não vieram apenas tocar, vieram deixar uma marca. E conseguiram. O público respondeu com energia, respeito e comunhão, criando um dos momentos mais memoráveis de todo o festival. Técnica e emoção em equilíbrio perfeito: Jinjer, mais do que confirmados, saíram do Evil Live ainda mais respeitados.

No Evil Live Open Air 2025 os Falling In Reverse mostraram que estão mais do que prontos para esse tipo de responsabilidade. Com uma produção imponente, uma entrega energética e uma presença carismática, a banda liderada por Ronnie Radke transformou o concerto do festival numa celebração vibrante e teatral, onde a controvérsia deu lugar à confirmação: eles são, neste momento, um dos nomes mais relevantes do rock moderno. Ronnie Radke surgiu como um verdadeiro maestro do caos, comandando o público com a confiança de quem sabe que está no auge da sua carreira. A mistura de metalcore, hip hop, eletrónica e pop-punk não é fácil de encaixar em rótulos, mas resulta ao vivo de forma avassaladora. Cada faixa foi recebida com entusiasmo, com mosh pits a abrir e mãos no ar em constante movimento. A produção sonora esteve à altura: clara, poderosa e equilibrada, mesmo nos momentos em que a mistura de estilos poderia ter comprometido a clareza. Radke, sempre provocador, criou momentos de verdadeira conexão com o público. Entre uma provocação e outra, deixou claro o quanto valoriza o apoio dos fãs e a resposta foi estrondosa. O concerto dos Falling In Reverse foi um statement. Um espetáculo pensado ao detalhe, com impacto visual e emocional, que os coloca definitivamente num novo patamar. Saíram do Evil Live Open Air não como uma banda controversa ou polarizadora, mas como um dos nomes mais marcantes do festival. Uma confirmação total.

Falling In Reverse

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Jinjer

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Adept

Gaerea

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