À conversa com José Filipe Rebelo Pinto

No ADN tem a criatividade e na alma a vontade de mudar e de transformar. Empresta o nome ao nascimento de espaços emblemáticos da capital portuguesa. Ao portefólio de sonhos já concretizados está prestes a juntar mais um, o OUT FEST. Foi sobre ele e muito mais que falámos com José Filipe Rebelo Pinto.

Há 10 anos nascia o OUT JAZZ. Ainda se lembra como tudo começou?
Tudo começou em 2005 com a realização de quatro dias de concertos na zona de campismo do Festival Sudoeste. Fizeram parte deste cartaz nomes como o Kalaf e João (Branko) dos Buraka, Júlio Resende, Ricardo Pinto, Dj Johnny, entre outros.

A música é algo que sempre esteve presente na sua vida?
A música é uma paixão grande e sempre fez parte da minha vida. Tomou outras proporções quando comecei a trabalhar a sério na indústria musical, aos 21 anos.

Quais os objetivos que tinha em mente quando lançou o projeto?
A ideia era criar algo que permitisse gerar trabalho para a NCS ao longo do tempo. Um festival com cinco meses de duração a uma escala menor era algo que estava ao nosso alcance. Os jardins públicos não tinham dinâmica e os projetos musicais a nível nacional estavam a crescer. Juntamos tudo isto numa receita de sucesso. O evento foi crescendo naturalmente e a NCS também.

Conseguiu alcançar todos?
Até à data quase todos os objetivos foram alcançados. No 10.º aniversário alcançamos o objetivo que nos faltava que é o OUT FEST.

O que é que o OUT JAZZ tem de especial para ser o caso de sucesso que é?
O OUT JAZZ junta os vários estilos da música negra (soul, funk, jazz, hip-hop) a um ambiente descontraído nos jardins da cidade de Lisboa. Posso dizer que o OUT JAZZ habituou os lisboetas a aproveitarem os seus jardins que há cerca de 10 anos não tinham a dinâmica que têm hoje em dia. O facto de ser gratuito e de ocupar um lugar inexistente faz toda a diferença.

Nasce agora o OUT FEST. Qual a filosofia que preside à sua criação?
O OUT FEST nasce da ideia de querer fazer algo diferente e, de certa forma, complementar ao OUT JAZZ. O facto de eu próprio ter mais 10 anos de idade também faz com que me apeteça fazer algo diferente e abraçar novos desafios. O facto de fazermos um evento mais concentrado e com bilheteira permite-nos trazer artistas mais relevantes do panorama internacional. Mas mantemos sempre a ideia de um evento nos espaços verdes e durante o dia.

10 anos não podiam passar em branco…certo?
Há datas que têm mesmo de ser celebradas. Manter um evento gratuito como o OUT JAZZ durante 10 anos é algo muito difícil de alcançar e fruto de um enorme esforço, trabalho e dedicação.

Como, quando e onde vai decorrer o evento?
O OUT FEST vai acontecer nos dias 24 e 25 de setembro no Parque Marechal Carmona, em Cascais.

O que é que os participantes vão lá encontrar?
Os participantes vão poder encontrar um dos jardins mais bonitos do nosso país e três áreas direcionadas à música. O palco principal que tem nomes como Nicola Conte (Dj Set), Daddy G (Dj Set), DJ Ride Live Feat Pimenta Caseira, Xinobi & Moullinex entre outros. O Red Bull Silent Garden e o Palco OUT JAZZ que conta com o Salvador Sobral e Ricardo Toscano Quarteto. Podem também encontrar uma zona infantil e uma zona de Street Food.

Na sua opinião o que é que vai ser mesmo impossível perder no OUT FEST?
Isso vai depender dos gostos, que podem ir mais da música soul à eletrónica. Os cabeças de cartaz deste ano são Nicola Conte e Daddy G (Massive Attack) num formato Dj Set. O Palco Out Jazz promete as participações de Salvador Sobral e Ricardo Toscano Quarteto.

Será este um evento para continuar nos próximos anos ou é algo pontual?
Esperemos que seja para continuar para a vida.

Quais as expectativas quando aos resultados desta edição?
O objetivo deste ano é apenas lançar o evento. Poderemos considerar esta edição como o ano zero e o ensaio geral para aquele que esperamos ser um evento de referência no nosso país.

É visto como um empreendedor. O que é que o motiva?
Sou um criador por natureza e não posso ficar apenas pela quantidade de ideias que me passam pela cabeça. A concretização é fundamental para a minha sanidade mental. O maior objetivo é poder contribuir para uma maior atividade cultural do nosso país e o que me motiva na maior parte dos casos é a paixão pela música e o facto de querer proporcionar bons momentos ao público.

Tem uma tremenda paixão por Lisboa, a qual o tem levado a dar vida a um sem-número de projetos na cidade. O que é para si Lisboa?
A minha casa.

A multiplicidade de gentes, nacionalidades, credos e raças que inunda a cidade pode ser, além uma tremenda riqueza, uma potencial fonte para a criação de eventos e espaços de lazer cada vez mais diversificados e valiosos?
Certamente. Esta foi uma das razões para apostar na zona do Martim Moniz.

Há algo genuíno na cidade que o cativa?
Acho que Lisboa é uma cidade com uma história e uma identidade muito próprias, o que é bastante interessante. Adoro os bairros históricos da cidade onde ainda é possível ver os estendais de roupa, as pessoas típicas do bairro à conversa na rua, as tascas típicas de comida portuguesa, as festas populares, entre tantas outras coisas. Tem sete colinas, um rio incrível e uma luz fora do comum. A isto junta uma zona industrial à beira do rio. Depois respira cultura e está cheia de atividade. E as pessoas são incríveis.

Se não morasse em Lisboa onde se via a morar? Porquê?
Neste momento estou a viver em Cascais por questões familiares e posso dizer que adoro. Perto da praia e a 15 minutos de Lisboa. O meu local de descanso.

“O OUT FEST nasce duma vontade antiga e da celebração do 10.º aniversário do OUT JAZZ”, José Filipe Rebelo Pinto

Cais do Sodré, Out Jazz, LX Factory, Praça Martim Moniz, Topo e OUT FEST tudo etapas de um percurso, o seu percurso. Tudo tem acontecido como imaginou ou a vida tem vindo a surpreende-lo?
Este caminho aconteceu de uma forma muito espontânea. O Cais do Sodré aconteceu porque na altura (2004) estava a viver lá e estava a montar a NCS. Queria trabalhar na indústria da música e nada como criar algo novo que tivesse a ver com ela. Fiz o Chocolate Flavours, no Jamaica, as noites no Texas Bar (ex Music Box) e lancei os “afters” do Europa (Breakfast at Europa). O OUT JAZZ ligou os músicos que atuavam no Chocolate Flavours com os projetos de jazz que já vinha a realizar nos anos antecedentes. Este foi o primeiro grande projeto da NCS. O Lx Factory apareceu naturalmente quando procurava um armazém maior para a NCS e uma sala para a realização de eventos musicais. Fiquei com a concessão da sala das colunas e montei o Faktory Club. A Praça do Martim Moniz aparece numa altura em que estava a pensar fazer voluntariado. Tendo em conta que a praça estava abandonada e tinha uma séria de comunidades imigrantes que estavam esquecidas pela nossa cidade, decidi que o Mercado de Fusão era o meu projeto humanitário. A ideia seria devolver a praça do Martim Moniz à cidade num projeto de reintegração social das comunidades locais. O TOPO aparece numa visão estratégica para toda a zona do Martim Moniz. Naquele local faria sentido um restaurante-bar como noutros locais fazem sentido atividades diferentes. Criei o TOPO para aquele espaço como poderei desenvolver um hostel ou uma sala de espetáculos naquela zona. O Martim Moniz precisa de mais oferta (restaurantes, bares, salas de espetáculo, lojas, galerias de arte, hostels). Agora o OUT FEST nasce duma vontade antiga e da celebração do 10.º aniversário do OUT JAZZ.

Não é homem para se ficar pela zona de conforto, ou estamos enganados?
Nunca aconteceu.

Já tem novos projetos para depois do OUT FEST? Pode revelar?
Vou construir a minha casa na Fajã de Santo Cristo na ilha de São Jorge, nos Açores.

Qual o seu lema de vida?
Respeito.

E o seu maior sonho?
Paz.

Acompanhe aqui a playlist elaborada em exclusivo para a LOOK mag: https://lookmag.pt/blog/playlist-out-fest-by-jose-filipe-rebelo-pinto/

Por: Sandra Pinto

Saiba tudo sobre a edição 2016 do OUT FEST aqui.

cartaz

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