À Conversa com Alexandre Travessas sobre o Reverence Santarém 2017

Depois de três edições memoráveis em Valada, no Cartaxo, o festival Reverence muda-se para Santarém, mais exactamente para o Parque da Ribeira de Santarém. Para perceber o motivo da mudança e o que nos espera neste Reverence Santarém 2017, estivemos à conversa com Alexandre Travessas, um dos responsáveis do evento.

No meio de tantos festivais que vão acontecendo em Portugal como se posiciona o Reverence Santarém?
O Reverence é um festival de rock pesado, psych, indie e de culto ao riff. Está inserido no panorama dos festivais de verão em Portugal e afirma-se como garantia de uma experiência única. O Reverence Santarém é um seguimento natural do Reverence Valada, não só pela qualidade do cartaz, mas também pelo conceito artístico e pela ambiência criada no cenário idílico do Tejo.

Marcamos presença desde a primeira edição, mas temos a curiosidade de saber como nasceu a ideia de fazer um festival deste género?
O festival nasceu na sequência do excelente trabalho desenvolvido pelas Cartaxo Sessions, que acabaram por germinar a ideia de juntar duas ou três bandas “maiores” para um evento de outro porte.
Essa “brincadeira” começou com dois ou três nomes e acabou transformada em algo bastante mais sério, com um cartaz composto por 80 e tal bandas.
Na verdade, o Reverence nasceu de uma forma muito natural. As Cartaxo Sessions, por si só, já tinham juntado bandas muito boas, que de outra forma não viriam a Portugal. O festival acaba por poder ser visto como o colmatar desse trabalho, com o apoio do Club AC30 e a Lovers & Lollypops.
Depois da primeira edição, percebemos que tínhamos criado algo tão especial que obrigava a uma continuidade.

Os três primeiros anos estiveram no Cartaxo. Qual o motivo da mudança para Santarém?
Não foi uma decisão fácil, na verdade. Primeiro, o antigo recinto era parte da experiência de estar no Reverence e, segundo, já havia uma relação estabelecida com toda a zona. No entanto, acabou por ser uma necessidade natural – tanto para melhorar a oferta como para manter o conceito vivo. Curiosamente, a primeira edição do festival era suposto ter sido realizada na Ribeira de Santarém, para o mesmo local em que vamos estar este ano, acabando por acontecer depois em Valada. Assim, e de uma forma quase poética, é como se tivéssemos regressado às raízes do projecto.

Ribeira de Santarém

O que vai esta mudança geográfica mudar no festival? Ou seja, há alguma alteração na filosofia do Reverence?
A mudança é mesmo só geográfica, o espaço é tão idílico e aprazível como o anterior.

Logisticamente, como é que tudo vai acontecer? Relativamente, por exemplo, ao alojamento e aos espaços de restauração?
Vai tudo acontecer de forma bastante semelhante às outras edições, com campismo gratuito para portadores de bilhetes.
A Sleep Em All também estará presente como opção de alojamento, teremos novamente os stands de street food e estamos a preparar algumas surpresas. As únicas coisas que serão diferentes são a maior oferta de restaurantes e hotéis na zona e o facto da estação de comboios estar a apenas cinco minutos a pé do recinto do festival.

Têm algum apoio por parte da Câmara Municipal de Santarém? De que forma?
A Câmara Municipal de Santarém é o nosso principal parceiro institucional para a edição de 2017, sendo que nos vão prestar um precioso apoio financeiro e logístico.

As Águas de Santarém aparecem como patrocinador do festival. Até que ponto estes patrocínios são importantes?
São extremamente importantes, claro. Ainda mais porque o festival sempre teve uma relação muito intima com o Rio Tejo, sendo que esta parceria com as Águas de Santarém acaba por fazer todo o sentido.

No Cartaxo havia praia fluvial, de certeza que alguns festivaleiros estão a fazer essa pergunta relativamente a Santarém. Há praia por perto?
O festival continua junto ao Tejo e com a praia fluvial mesmo junto ao campismo.

Para dar umas dicas mais práticas a quem pretende ir este ano, de que forma se pode chegar ao festival?
A Ribeira de Santarém é situada perto da estação de comboios de Santarém, a quatro quilómetros do centro da cidade.
O recinto do festival está situado por baixo da Ponte D. Luís, tendo as Portas do Sol e o Rio Tejo como cenário.
Além do desconto da CP para quem for portador de ingresso e preferir deslocar-se de comboio, a opção mais rápida será pela A1 e saída em Santarém. Estando lá, será apenas seguir as indicações da Estação CP.

Há alguma parceria com a CP? Se sim, de que forma se concretiza?
A CP disponibiliza um desconto de 30% para quem for portador de ingresso para o festival nas viagens com destino a Santarém.

Uma das grandes inovações do Reverence relativamente aos festivais que já aconteciam em Portugal foi o horário, com concertos a começar por volta da hora do almoço. Este ano vai voltar a acontecer?
Sim, esse conceito mantém-se novamente intocado. Vamos voltar a ter os concertos a começar cedo e a prolongarem-se pela noite dentro.

Quantas bandas estão no alinhamento desta edição e por quantos palcos se vão elas repartir?
De momento, estão confirmadas 42 duas bandas, que vão actuar em dois palcos.

No que aos géneros musicais diz respeito, o Reverence tem já a marca da diferenciação, pois toca linguagens musicais, como o rock psicadélico e o stoner rock, que abarcam um tipo de público também ele diferenciador. Se lhe pedisse para posicionar musicalmente o festival onde o poria e porquê?
O festival é segmentado por peso e psych/indie, sendo que o conceito abarca estilos como o psych e neo-psych, o shoegaze, passando pela dreampop, pelo metal (stoner, doom, death, post) e pelo post-rock. Mas também há muito garage, darkwave e post-punk no cartaz da edição deste ano.

Do alinhamento há algum concerto que gostasse de dar particular destaque? Porquê?
Destaco os Gang of Four – que são verdadeiras lendas do movimento post-punk – e, claro, o ultimo concerto da digressão de comemoração dos 25 anos de carreira dos Moonspell, onde tocarão os álbuns «Wolfheart» e «Irreligious» na íntegra.

Esta edição assinala a parceria com a reputada editora londrina Fuzz Club. De que forma se vai concretizar esta parceria nos dois dias de festival?
A Fuzz Club irá celebrar o 5.º aniversário na edição deste ano do Reverence, por isso a editora vai actuar como curadora dando a conhecer muitas das bandas que edita.
São oito as bandas da Fuzz Club em cartaz. A saber, The Underground Youth, 10000 Russos (curiosamente descobertos pela Fuzz no Reverence 2014), The Janitors, Throw Down Bones, Dead Rabbits, Pretty Lightning, The Gluts e Nonn.

Que outras novidades, que não musicais, estão programas para a edição 2017 do Reverence?
O Reverence é um festival de música. Mas além da música temos a praia e este ano um recinto a estrear. Depois há toda uma envolvência e uma zona a conhecer, um verdadeiro roteiro do que se deve fazer em Santarém. Aliás, esse mesmo roteiro é algo que iremos sugerir muito em breve.

A caminho da quarta edição que balanço faz do Reverence?
O balanço é positivo. Conseguiram-se fazer três edições com bastante impacto e um evento muito agradável para quem nos visita e que acaba por deixar saudades o ano inteiro. Temos muito orgulho em todos os cartazes e nas muitas mais edições que temos pela frente.

É este um festival para continuar?
Sem dúvida! Se as condições necessárias estiverem reunidas, claro está.

Playlist Reverence Santarém 2017

Por: Sandra Pinto

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