Como a pandemia impactou a cultura? E em 2021 haverá festivais? Mais streaming?

A pandemia matou a cultura? Talvez as notícias da sua morte sejam manifestamente exageradas, mas a verdade é que as todas as medidas de mitigação da propagação tomadas até à data estão a debilitar fortemente, o já de si frágil, setor cultural do país.

O futuro é incerto e o passado relata-nos uma história recente marcada por perdas acumuladas, em volume de negócios, a rondarem os 4,8 mil milhões de euros em 2020 face a 2019, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE).
No último ano pré-pandemia, o INE assinalava que o setor mobilizou cerca de 132.200 trabalhadores e atingiu um volume de negócios de 6,9 mil milhões de euros, o que representou 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB), situado nos 209 mil milhões de euros. Estes números são tão ou mais dramáticos se se perceber que escondem postos de trabalho perdidos e famílias inteiras com dificuldades para chegarem até ao final do mês.
Segundo um inquérito realizado pelo Sindicato dos Trabalhadores de Espetáculos, do Audiovisual e dos Músicos (CENA-STE), a perda de trabalho afetava 98 em cada cem profissionais do setor da Cultura duas semanas após a entrada em vigor do primeiro confinamento em março de 2020.
A palavra do ano de 2020 para a Porto Editora foi “saudade”, mas podia muito bem ser “cancelamento” ou “adiamento”.

Rodagens e produções cinematográficas canceladas, sessões de teatro anuladas e concertos transferidos do palco para os ecrãs de computadores e smartphones. Com uma ou outra exceção, este foi o panorama cultural de 2020.
Só entre meados de março e finais de abril, a Associação de Promotores de Espetáculos, Festivais e Eventos (APEFE) registou o cancelamento, suspensão ou adiamento de cerca de 27 mil espetáculos.
Mesmo depois do “desconfinamento” e da possibilidade da realização de espetáculos com lugares marcados e distanciamento social, a APEFE não viu melhorias, estimando que até ao final do ano passado as quebras de receita tenham atingido os 90%.
O cinema é um caso paradigmático desta “depressão cultural”. 2020 foi o ano em que os portugueses menos vezes foram ao cinema. Segundo os dados mais recentes do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), até novembro do ano passado, registou-se uma quebra de 74% em receitas de bilheteira e em número de espectadores, comparando com o mesmo período de 2019.
Ainda um outro apontamento para os Museus e Livrarias. Enquanto os museus as perdas chegaram aos 80%, o setor livreiro sofreu uma queda abrupta, registando perdas no valor de 23,3 milhões de euros, face a 2019 (de 102,2 milhões para 78,9 milhões).

Mais um ano sem festivais?

Quando a cortina do Vilar de Mouros 2019 se fechou e o “até 2020” se gritou, ninguém colocaria a hipótese de que a próxima edição deste festival minhoto, último dos grandes festivais de Verão que se realizam em Portugal, demoraria tanto a chegar.
Apesar de muitas intenções, algumas organizações mais otimistas já colocaram à venda bilhetes para os festivais deste ano, o panorama não parece muito animador dado o aumento de casos e o lento processo de vacinação da população.
Pode, porém, existir uma luz ao fundo do túnel. A partir deste mês, o governo vai passar a reunir quinzenalmente com as associações do setor para encontrar soluções que permitam viabilizar a realização dos festivais de Verão.
Estima-se que a ausência de festivais de Verão tenha produzido perdas na ordem dos 1,6 mil milhões de euros, valor que se encontra nos antípodas dos cerca de 2 mil milhões gerados em 2019.

Streaming faz da pandemia uma oportunidade

Se, como vimos, o número de espectadores em salas de cinema e teatros registou mínimos históricos, as plataformas de streaming como a Netflix, HBO ou Disney+ cativaram as preferências dos portugueses que, confinados, ou sujeitos a restritivas medidas de circulação, optaram por consumir filmes, documentários e série a partir do conforto do seu lar.
De acordo com o último relatório do OberCom (Observatório da Comunicação), durante os meses que já leva a pandemia, existiu um boom na adesão online a serviços relacionados com o audiovisual de entretenimento (streaming de vídeo e de música).
A liderança neste domínio pertence à Netflix e HBO com uma percentagem de 40,7%, seguidos de serviços online de música (Spotify, Apple Music, etc.) com 11,9%. A penetração e acomodação destes serviços aos hábitos da população é tal que, dos novos subscritores, uma larga maioria de 84,4%, afirmou não pretender cancelar os serviços de streaming adquiridos durante 2020.
A par do entretenimento à medida (depois de subscrito, o cliente escolhe o conteúdo presente na plataforma que quer ver e quando o ver), a facilidade de subscrição e pagamento destes serviços também acabou por desempenhar um papel fulcral no crescimento destes serviços em Portugal.

Com uma ligação à Internet e um cartão de crédito, forma de pagamento por excelência no canal online, qualquer pessoa pode fazer uma subscrição de um destes serviços de streaming e mais apelativo se torna quando se percebe que é possível poupar durante o processo com um cartão com cashback.
Um cartão de crédito com cashback como é o caso do cartão Unibanco Atitude, permite ao seu detentor receber até 200€ de volta nas compras, incluindo subscrições, realizadas durante os primeiros 12 meses.

Este cartão de crédito, junta ao cashback as virtudes de um cartão de crédito sem anuidade, a segurança garantida pelo cumprimento na íntegra dos requisitos das novas definições de segurança para compras online (autenticação forte) e, no âmbito da digitalização dos serviços Unibanco, a simplicidade de poder pedir o seu cartão de crédito online.

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