Cerejeiras do Fundão: descobrir a flor antes de provar o fruto

O Fundão produz as primeiras cerejas em todo o mundo – vantagem competitiva para afirmar lá fora aquela que já é uma marca nacional: a Cereja do Fundão. Por cá, não é só oportunidade de negócio mas convite irrecusável para visitar a cidade portuguesa. E há cada vez mais para ver e fazer na terra da cereja.

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Aos que ligam a modas, poder-se-á dizer que a Cereja do Fundão já é uma marca com potencial turístico e que seduz mercados internacionais. Os preços deste produto variam consoante muitos critérios, mas a cereja da região já chegou a ter um preço recorde de 52 euros por quilo no mercado finlandês. Ajuda o facto de ser a primeira cereja do ano, em todo o mundo.

A viagem é rápida e, como em quase todo o território nacional, justifica uma deslocação para um fim-de-semana diferente.

Aos que preferem a aventura e viajam ao sabor da descoberta, diga-se que o Fundão está à espera de receber entre 30 e 40 mil visitantes na Festa da Cereja, que a freguesia de Alcongosta organiza anualmente e que, este ano, acontecerá entre 9 e 12 de Junho. Serão mais de 100 tascas a abrir as suas portas e a dar a conhecer os produtos da região, entre os quais não pode falar a cereja.

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Mas esta viagem começa ainda antes de haver cerejas e nasce numa estratégia concertada entre as instituições da região, para potenciar os recursos naturais que aqui criam condições excepcionais de atracção turística. Esta viagem começa antes de as flores das cerejeiras darem lugar ao fruto. (Já a estratégia estende-se aos 365 dias do ano.)

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Acontece entre Março e Abril e é um fenómeno que, a julgar por este ano, pode durar poucos dias. As cerejeiras em flor decoram a paisagem, parecendo cobrir as serras e vales do município com lençóis brancos. É esta a imagem que se intui a mil metros de altitude, a bordo de um balão de ar quente que sobrevoa as cerejeiras. Os passeios de balão acontecem a partir de agora, aos fins-de-semana, e são uma das apostas que o município do Fundão oferece aos visitantes, juntamente com a Compal.

«A Compal é uma das entidades que tem reconhecido o valor da Cereja do Fundão e já há alguns anos estava a tentar introduzir no mercado o néctar que aqui tem origem», Elizabete Galiano, gestora da marca.

O Compal Cereja do Fundão é um néctar “bastante encorpado” e ideal para acompanhar refeições ligeiras, detalha a responsável, que surge no seguimento da aposta da marca nos sabores portugueses (como Maçã das Beiras e Laranja do Algarve). Reflete também a valorização da proximidade à natureza, aponta Elizabete Galiano. A Compal tem entre os seus objectivos estar “cada vez mais perto da árvore”, aponta, acrescentando que as especialidades, como o Compal Cereja do Fundão, são feitos a partir de fruta fresca, como consequência desse posicionamento.

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Em cerca de uma hora, vislumbram-se as serras da Gardunha e da Estrela como pano de fundo de um passeio que permite ver o nascer do dia lá no ar. A subida é de uma tranquilidade surpreendente (apesar de as condições climatéricas poderem ameaçar a realização do voo), enquanto o silêncio engole as paisagens arrebatadoras.

Das nuvens para os carris

Do balão para o comboio, porque as actividades na rota das cerejeiras em flor não param. Segue-se um passeio pelas cerejeiras, a bordo de um comboio turístico que atravessa o centro histórico da cidade e que terá como destino uma plantação em Alcongosta. É aqui que os visitantes poderão ver as flores, que mais tarde darão lugar ao vermelho vivo das cerejas. Também aqui poderão aderir a uma das grandes apostas desta estratégia da região: o apadrinhamento de uma cerejeira.

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A proposta é lúdica mas o compromisso é sério: quem apadrinhar uma cerejeira do Fundão, fica a ela ligado para sempre. O acto tem um custo de 20 euros ao ano e traduz-se numa carta de direitos e deveres. O padrinho (ou a madrinha) tem de visitar a sua afilhada uma vez por ano, para ter o direito a receber em casa uma caixa de 2 quilos de cereja do Fundão, anualmente, até que a sua árvore comece a dar frutos. A partir desse momento, cabe aos padrinhos tratar da apanha das cerejas da sua afilhada, que ficarão consigo.

«O apadrinhamento pretende sensibilizar para o cuidado das árvores, para que se perceba que tudo começa aqui», Paulo Fernandes, presidente da Câmara do Fundão

Para Paulo Fernandes, presidente da Câmara do Fundão, «a aproximação dos padrinhos ao local da plantação permitirá o reconhecimento da origem mas também o usufruto de paisagens naturais únicas, circundadas pelas serras da Gardunha e da Estrela». Ao mesmo tempo, mostrará o valor da actividade agrícola que, como explica Paulo Fernandes, «tem vindo a ganhar um interesse renovado, a julgar pelo crescimento de 10% ao ano dos hectares de produção de cereja». São já 2600 hectares e 350 produtores, que respondem por uma produção de sete mil toneladas, relembra orgulhosamente o presidente da Câmara do Fundão.

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Se o vínculo afectivo se consegue com esta acção simbólica, a dinamização turística da região não ficou de fora desta equação. Os padrinhos usufruem de descontos em restaurantes e hotéis do Fundão, quando for altura de visitar a afilhada, e ainda em produtos comercializados nos postos de turismo do concelho.

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E são muitos os produtos que nasceram em torno do negócio da cereja. Os pastéis de Cereja do Fundão estão entre os produtos que ganharam maior visibilidade, nos últimos anos, e apareceram em praticamente todas as pastelarias da zona e a viagem não ficaria completa sem que fosse provada esta iguaria. Mas há ainda espaço para testar o licor e os bombons de cereja.

Vistas as flores que, dentro de pouco tempo, darão lugar ao fruto, fica prometido o regresso em breve ao Fundão das cerejas, dos cerejais, dos passeios de balão e das pessoas que se demoram a explicar o que ali se faz, como se de uma magia muito antiga se tratasse.

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Texto e fotos: Filipa Moreno

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