Belém Art Fest: o festival onde todos gostaríamos de estar

Belém Art Fest: o festival onde todos gostaríamos de estar

Fascinaria qualquer turista poder ver, em solo estrangeiro, alguns dos mais concorridos museus e monumentos durante o final de uma tarde e o início de uma noite de quase Verão. Melhor ainda se este programa incluísse uma mão cheia de bons concertos e artistas.

Esta é a proposta do Belém Art Fest, que, à sétima edição, voltou a apropriar-se de alguns dos mais bonitos palcos de Lisboa.

Um fim de tarde atípico instalou-se em Belém. Onde andam os turistas, perguntamos, ao olhar para ruas quase vazias, estradas com pouco trânsito. Neste ambiente único, rumamos ao Museu Berardo. A colecção permanente e a exposição temporária (Between the Devil and the Deep Blue Sea, de Pieter Hugo) são duas propostas do programa deste ano do Belém Art Fest.

Abrem-se as portas deste e de outros museus e monumentos que fazem as delícias dos visitantes. A componente musical do cartaz também não desilude. Há nomes portugueses com obra reconhecida e há estrangeiros distintos. Só não há turistas a compor as salas deste festival estival. Uma ideia tão bem construída merece ser partilhada com todos os que estão de passagem, porque a noite adivinha-se mágica e, afinal, não é disso que se constroem as memórias de viagens?

Do Berardo rumamos ao Museu de Arqueologia. A estreante Beatriz Pessoa já vai discorrendo um cardápio de músicas leves e cativantes que farão parte de um EP a sair em breve. Beatriz Pessoa tem uma voz que já reconhecemos das rádios, mas ficamos surpreendidos com o que está para além do single “Vento”. E temos a certeza de que não tardará muito a ser conhecida do “grande público”.

 

É uma lufada de ar fresco. Aqui traz uma música escrita para Cristina Branco. Toca outra feita para os seus irmãos, em jeito de lullaby. Noutras ainda fala sobre namorados pretendentes e pretendidos. Traz uma quase pop que não trai as fundações jazz. Ela canta Beyoncé. Ela dança forró.
A sala tem um balcão de onde se pode espreitar a vista de Belém e esse eclipse lunar que carrega a magia desta noite.

Mágico é também o palco que se segue. Selma Uamusse enche o claustro do Mosteiro de Jerónimos com a sua voz imponente e postura humilde. Não pede licença para entrar neste espaço de peso, mas agradece por ser ouvida. Por isso, abandonamos as cadeiras sempre que sempre que Selma nos chama à beira do palco. O alinhamento faz-se das suas raízes moçambicanas, de versões de Nina Simone, de histórias sobre políticos malfeitores. Faz-se, sobretudo, de dança. E poucas mulheres são capazes de dançar tanto nuns saltos agulha.

Serenamos de seguida com a ida até aos Jardins do Palácio de Belém. Noiserv instalou-se num palco contra luz cor-de-rosa e é quase impossível acreditar neste cenário. David Santos é querido do público deste festival, um público que acompanha timidamente as músicas desta carreira que já leva alguns anos. Continua a fascinar a engenharia do espectáculo de Noiserv: a construção em camadas da sua música justifica sempre o título de one man band.

No mesmo tom, regressamos ao Mosteiro dos Jerónimos. Mas agora Marcelo Camelo traz o seu próprio público: alguns fãs brasileiros que arriscaram descobrir os outros artistas mas ali se concentraram para receber o músico dos Los Hermanos. É o próprio Marcelo Camelo que acrescenta magia à noite, ao apontar para a lua que vai espreitando sobre o claustro e ao agradecer o carinho do público português. Emociona-se com a solenidade do sítio e fala de como se sente português. Em boa verdade, os ritmos das músicas são brasileiros, mas os temas são bem portugueses – a saudade está tão presente. Ao confessar não tocar há algum tempo, não hesita em aceder aos pedidos do público, que quer ouvir as mais conhecidas. A despedida faz-se com um coro vindo da audiência enquanto o artista sai de cena. “Marcelão, bom show.”

O segundo e último dia do Belém Art Fest acontece este sábado, num registo mais enérgico. Lianne La Havas no Mosteiro dos Jerónimos, por onde passa antes Janeiro. O português Tomara e o brasileiro Momo ocupam-se do Picadeiro Real. A Monster Jinx toma conta do Museu Berardo, onde Conan Osiris fechará a noite, ele que é talvez um dos nomes mais esperados deste cartaz e a nova sensação da música em Portugal.

Texto: Filipa Moreno
Fotos: André Clemente Aguiar

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