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Ash Is A Robot: “Não estamos com grande urgência para lançar músicas novas”

Ash Is A Robot estão de regresso a Setúbal para um concerto muito especial, que promete celebrar a música, a amizade e a solidariedade. Com uma carreira marcada pela intensidade visceral e pela evolução musical que vai do post-hardcore cru a sonoridades mais complexas e melódicas, a banda prepara-se para revisitar clássicos do seu primeiro disco de 2013, apresentar novas criações e partilhar o palco com convidados inesperados, como Ella Palmer e Roy Batty. Este evento não é apenas um concerto: é também uma oportunidade de apoiar uma causa animal, unindo a paixão pela música com a consciência social.

Por Sandra Pinto

 

Conversámos com Cláudio e Francisco sobre o regresso à cidade, a história da banda, os momentos memoráveis nos palcos e a experiência de tocar juntos mais de uma década depois.

Este concerto marca o regresso de Ash Is A Robot a Setúbal com uma celebração muito especial. Como se sente a banda por poder partilhar este momento com a cidade natal?
Cláudio – Tocámos em setembro no Labutes Metal Fest, no qual apresentámos um set mais curtinho, mas foi incrível ver pessoal com vontade de voltar a fazer coisas a nível de concertos meio DIY. Setúbal também foi a cidade onde nasci. Apesar de já não morar lá, Setúbal vai estar sempre no meu coração, de uma maneira ou de outra.


O evento combina música e solidariedade, pedindo donativos para uma associação animal. Como surgiu a ideia de unir aniversário do Cláudio com esta ação solidária?
Cláudio – Sempre tive uma grande ligação com animais. De momento tenho 3 gatos que foram resgatados. Sei que, normalmente, as associações têm algumas dificuldades a nível financeiro e que todos os apoios são importantes. Para além disso, também tenho o fator nostálgico dos benefits e das matinés de domingo que aconteciam na minha adolescência.


O cartaz inclui dois convidados muito diferentes: Ella Palmer e Roy Batty. Como se deu a escolha destas bandas para estarem presentes?
 Cláudio – Primeiro de tudo, a amizade e a vontade de estar rodeado de pessoas de quem gosto. Todos os membros que passaram pelos Ella Palmer foram muito marcantes na minha adolescência, não só como banda, mas também como pessoas. Fiquei super feliz por termos reunido as condições para tornar possível o comeback da banda após 9 anos. Os Roy Batty, para além de contarem com um amigo muito especial, o Pedro Cunha, são uma banda com muito potencial. Tal como acontecia no passado, acho que devemos dar oportunidade a bandas que estão numa fase inicial de divulgação para terem um palco.


Para os fãs que não conseguiram ir aos concertos de Lisboa ou Setúbal em setembro, que surpresas ou novidades podem esperar neste?
Cláudio – Vamos ter alguns convidados especiais, vamos tocar músicas que nunca tocámos ao vivo e outras que já não tocamos há 8 anos (quem sabe até um tema novo).

Qual será a sensação de tocar músicas do primeiro disco de 2013 ao lado de novas criações nunca antes apresentadas ao vivo?
Cláudio – Por vezes é algo surreal, tendo em conta que algumas dessas músicas já têm mais de 10 anos, mas acho também super interessante termos público mais jovem que apareceu pela primeira vez num concerto de Ash Is A Robot


Como descreveriam a evolução musical da banda desde o lançamento do primeiro disco até hoje?
Francisco – A evolução da banda passou do post-hardcore cru e energético para uma sonoridade mais complexa, melódica e progressiva, incorporando eletrónica e mantendo a sua intensidade visceral. Nos dias de hoje tentamos unir as duas sonoridades contando com toda a experiência que fomos acumulando durante estes anos.

Há alguma música ou momento do concerto que seja particularmente especial para vocês, seja pela letra, sonoridade ou história pessoal?
Francisco – Para nós o facto de mantermos a nossa amizade após estes anos todos e podermos tocar estas músicas ao vivo com todos os membros que fizeram parte do projeto, é o mais especial. Claro que temos preferência para algumas músicas mas cada um tem uma opinião diferente. Às vezes dificulta estabelecer a setlist.

O processo criativo da banda mudou desde o início da carreira? Se sim, de que forma?
Francisco – Em alguns aspetos sim, nem que seja porque fomos aprendendo com os erros anteriores. Mas regra geral os processos são mais iterativos e não estamos com grande urgência para lançar músicas novas. Assim dá-nos tempo para digerir as criações e melhorar aqui ou ali quando acharmos necessário

A banda tem uma ligação muito forte com Setúbal. Que papel a cidade desempenhou na identidade musical de Ash Is A Robot?
Cláudio – Para além de o primeiro concerto ter sido em Setúbal, grande parte dos membros viveu muitos anos na cidade. Apesar de irmos a muitos concertos de bandas setubalenses (More Than a Thousand, One Hundred Steps, Ella Palmer, Banshee e mais alguma que já não conseguimos lembrar), acabámos por conhecer-nos todos um pouco de vista, mas nunca tivemos uma banda os cinco juntos.

Vocês já participaram em vários festivais e concertos ao longo dos anos. Há algum momento de palco que ficou na memória de todos?
Francisco – Esta pergunta tanto dá para responder no sentido positivo como no menos positivo. No sentido positivo, tocámos no Ressurection Fest no mesmo ano que os nossos conterrâneos More Than a Thousand, fizemos uma tournée tanto com More Than a Thousand como com a banda americana The Color Morale com quem nos demos super bem. No sentido menos positivo, tocámos em sítios sem condições, com promotores duvidosos, em áreas de cidades potencialmente perigosas e com algumas bandas mais hostis.

Quais são as maiores influências musicais que moldaram o som da banda?
Francisco – Yes, At the drive In, Glassjaw, King Crimson, entre outras, e muitas vezes outras bandas com quem nos cruzámos na estrada.

Algum conselho para bandas emergentes que querem manter uma carreira sólida e criativa no rock alternativo?
Francisco – Vou parecer um pai a responder mas aqui vai tenham paciência, chegar a horas é importante, muita perserverância e o mais importante divirtam-se.

Como seria a festa de aniversário perfeita para ti Cláudio, além da música e da solidariedade?
Cláudio –  Para mim, já é a festa de anos perfeita: tocar com pessoas de quem gosto, com amigos, e ter a oportunidade de juntar esta malta toda para tocar é incrível. Quero também agradecer ao Miguel, do Decibel Bar, pela disponibilidade para esta brincadeira.
Há alguma história engraçada ou curiosa que tenham vivido juntos nos bastidores e que queiram partilhar?
Cláudio – Para mim, a história mais marcante foi a tour que fizemos num Renault Clio. Conseguimos organizar metade do backline com os promotores e com as bandas que dividiram o palco com os Ash Is A Robot. Fomos a Espanha, França, Inglaterra, Alemanha, Luxemburgo e Bélgica

Se pudessem escolher um lugar icónico em Setúbal para tocar um concerto secreto, qual seria e porquê?

Francisco – Nós tocámos uma vez num antigo banco Montepio (se não me engano) na avenida Luísa Todi que foi uma experiência incrível que adorávamos repetir.

Cláudio party program – Super birthday party

Cartaz:
– Ash is a Robot
– Ella Palmer
– Roy Batty

Data e Local:
– Decibel Setúbal (R. Guilherme Gomes Fernandes 58, 2900-395 Setúbal)
– 21 de Dezembro

Entradas:
8 decibéis + donativo para associação de resgate animal (ração húmida e/ou seca para gato, mantas/cobertores, areia absorvente para gato)
Reservas por mensagem privada para o Facebook ou Instagram do Decibel bar ou presencialmente no bar às sextas-feiras ou sábados, a partir das 19h.

Nota: Os primeiros 30 bilhetes têm direito ao EP Sympathetic Vibration de Ash is a Robot

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