“Arriba Lisboa” pediram os Arde Bogotá e o Sagres Campo Pequeno obedeceu e “arribou” como poucas vezes

Lisboa foi tomada por energia espanhola quando os Arde Bogotá incendiaram o Sagres Campo Pequeno com riffs poderosos, letras emotivas e um público que cantou em uníssono do início ao fim. Fãs vieram de Madrid só para ver a banda ao vivo, e ninguém ficou parado: boa disposição e emoção à flor da pele

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro

Quando Antonio García e os restantes membros dos Arde Bogotá subiram ao palco, percebeu-se logo que Lisboa estava prestes a viver uma noite especial. Originária de Cartagena, Espanha, a banda formou-se em 2017 e desde então tem vindo a conquistar corações com um rock alternativo que mistura indie, punk e pop rock moderno. Mas mais do que música, Arde Bogotá oferece energia, emoção e autenticidade, algo que se sente em cada acorde, em cada letra, e sobretudo em cada olhar entre os quatro elementos da banda: Antonio García (voz e guitarra), Dani Sánchez (guitarra), Pepe Esteban (baixo) e José Ángel “Jota” Mercader (bateria).

O percurso do grupo começou a ganhar atenção com o EP “Cowboys de la A3”, em 2019, e consolidou-se com o álbum “La Noche”, em 2021. Desde então, singles como “Millennial” ou “Sin vergüenza” tornaram-se hinos para uma geração que se revê nas letras emotivas e nas melodias intensas. Mas, acima de tudo, é ao vivo que Arde Bogotá mostra o seu verdadeiro poder.

No Sagres Campo Pequeno, a banda não dececionou. O concerto começou com Los Perros e Millennial, e o público vibrou logo de imediato. Antonio vestia camisa branca, calças cinza largas e duas gravatas, um look simples, mas com uma presença magnética que combinava com cada gesto, cada movimento no palco. Entre riffs poderosos e melodias cativantes, a plateia sentia-se parte do espetáculo, não apenas espectadora.

Momentos mais introspetivos chegaram com A lo oscuro e Qué vida tan dura, e foi impossível não sentir um arrepio quando cada palavra se misturava com os sussurros e cantos da multidão. Mas o concerto não foi só nostalgia: músicas inéditas como Antifiesta e Asidero provocaram sorrisos e aplausos, e faixas como Sin vergüenza, Flores de venganza e Antiaéreo mostraram que a intensidade da banda ao vivo é imparável.

E se havia dúvida da devoção do público, esta dissipou-se com Cowboys de la A3: a sala cantava em uníssono, de mãos no ar, inundada por uma boa disposição que parecia contagiar todos. Entre os espanhóis que vieram de propósito, destacava-se um que trabalha nas minas de Aljustrel, que compareceu acompanhado por amigos, todos com camisolas da banda, como quem levava a paixão estampada no peito. Na frente da plateia, um fã não se cansava de agitar uma bandeira espanhola, enquanto outro confessava, sorridente, que tinha vindo de Madrid só para este concerto. Pequenos gestos que mostravam que não se tratava apenas de música, mas de uma celebração coletiva de alegria e amor pela banda.

Quando o último acorde de Exoplaneta se dissipou no ar, ficou claro que aquela noite seria lembrada por todos. Os Arde Bogotá mostraram mais do que talento; mostraram como a música consegue criar ligação, emoção e comunidade, transcender fronteiras e unir pessoas com uma energia contagiante. Lisboa cantou, vibrou e, sobretudo, sentiu cada nota com o coração.

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