«Anaïs Nin – Vida Literária e Erótica», de Noël Riley Fitch

«É só uma ou duas vezes em cada século que o nosso triste mundo sublunar recebe a passagem de um espírito tão raro e corajoso como o de Anaïs Nin. No reino da literatura, poucas figuras femininas há capazes de competir com a criatividade artística e a pura luminosidade pessoal de Anaïs», Henry Miller

«Será que alguém sabe quem eu sou?», pergunta Anaïs Nin em A Casa do Incesto. Talvez ninguém soubesse. Mas talvez também fosse uma utopia conhecer verdadeiramente a mulher dual, complexa e neurótica que rejeitou o catolicismo e se tornou cortesã em Paris, manteve romances com Henry e June Miller e seduziu as figuras paternas mais importantes da sua vida, foi guru do movimento das mulheres em Los Angeles e assinou um dos escritos mais célebres e revolucionários da história da literatura.

A desconstrução do mito chega-nos em Anaïs Nin – Vida Literária e Erótica, trabalho da premiada historiadora e biógrafa Noël Riley Fitch que nos revela o retrato da mulher que transformou a vida numa obra de arte.

Um amigo descreveu-a como uma mistura «de gueixa, precetora e irmãs Gish». Lawrence Durrell chamou-lhe «diva» com uma «faceta recatada e virginal». Gore Vidal parodiou-a, e disse que ela «dava mau nome ao narcisismo». E, embora apelidando-a de «eternamente inocente», Henry Miller acrescentou que ela era uma «prevaricadora muito hábil e perita» e «um ser muito ambivalente».

Afinal, quem era Anaïs Nin? Quando a própria autora escreve que, tal como Oscar Wilde, colocava a arte no trabalho e o génio na vida, representando «mil papéis diferentes», o seu retrato torna-se instantaneamente secreto e não diáfano – ao contrário do que seria de supor da mulher que alegadamente se revelou num diário de cerca de trinta e cinco mil páginas que a transformaria num mito.

Mas como disse Freud, quem inicia uma autobiografia «compromete-se com a mentira, a dissimulação e as ninharias», e o célebre diário de Anaïs Nin, escrito revolucionário aclamado por críticos literários e feministas, onde a autora revisita as suas aventuras sexuais, os romances com Henry e June Miller ou a complexa relação com o pai, era, na verdade, uma construção, uma criação para ordenar o caos, o abuso e a dor que a rodeavam.

Em Anaïs Nin – Vida Literária e Erótica, a premiada historiadora e biógrafa Noël Riley Fitch conta a história de uma mulher notável que se escondeu dos seus leitores atrás de um milhão de palavras, desmitificando a obra e a imagem da artista que o mundo conheceu como Anaïs.

Anaïs Nin – Vida Literária e Erótica
Noël Riley Fitch
Bertrand

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