Afinal o que é a meditação? Por Maria João Viana

Durante séculos, as práticas meditativas eram consideradas oculistas e confinavam-se a grupos restritos. Com a evolução das sociedades, o multiculturalismo e o ritmo acelerado em que a vida moderna se inscreveu, a meditação começou a ser usada para relaxar a mente cansada pela agitação da vida e tornou-se numa necessidade.

Actualmente, a meditação é considerada imprescindível para aqueles que querem manter a mente saudável e são cada vez mais conhecidos os seus benefícios físicos. Tal como o corpo precisa de descanso, a mente também precisa. Hoje sabemos que, para termos um corpo saudável, para além de uma alimentação equilibrada e umas boas horas de descanso, é imprescindível termos também uma mente liberta de tensões, angústias e inquietações. A meditação tem vindo a ganhar cada vez mais adeptos precisamente por proporcionar uma mente saudável e, consequentemente, um corpo igualmente são.

Apesar da meditação de ter sido, inicialmente, uma prática espiritual, ela condensa um saber milenar de descondicionamento da mente, que o Ocidente abraçou e está agora a cultivar. Em termos muito sumários, a meditação foi recuperada, simplificada e adaptada às necessidades dos tempos modernos. Ocidentalizou-se. É usada sobretudo para esvaziamento da mente e libertação de todo o tipo de emoções negativas ou tóxicas, dando lugar a um estado de quietude e serenidade que traz uma enorme paz de espírito.

Todos aqueles que praticam uma qualquer técnica de meditação, numa base regular, sentem os seus benefícios e descrevem os seus efeitos como um grande bem-estar interior, uma maior leveza, mais paz e alegria de viver. Para além disso, o esvaziamento da mente a que a meditação nos leva transporta a mente para estados de consciência que elevam a saúde e a criatividade. Na verdade, as práticas meditativas são um grande bálsamo para a mente, proporcionam bem-estar físico e psicológico. Ao silenciarmos a mente, estamos a dar-lhe descanso e este descanso psíquico traz inúmeros benefícios para o corpo, que se liberta de tensões acumuladas e para a mente, que se esvazia de todas as inquietações. Ao eliminarmos as tensões do corpo e da mente, descobrimos em nós um lugar de paz, onde nos sentimos bem e há uma energia dulcíssima que nos invade, fortalecendo-nos e proporcionando uma nova visão da vida, mais confiante e serena. Gradualmente, a saúde eleva-se, compensamos o desgaste de energia a que a vida nos sujeita, ganhamos clareza interior e tornamo-nos pessoas mais calmas e felizes.

A forma mais simples de meditar é sentar-se, com a coluna vertebral direita, fechar os olhos, levar a atenção para o interior e observar a respiração:
Observe o ar entrar, observe-o sair
Saiba quando está a inspirar e a expirar
Saboreie cada movimento da respiração
Saiba quando a respiração é mais profunda ou mais espaçada
Aperceba-se de todos os movimentos da respiração, da pausa entre uma e outra respiração, ou entre uma inspiração e uma expiração

Se o leitor experimentar, irá sentir de imediato que a sua mente relaxa, bem como o seu corpo. Se algum pensamento cruzar a mente, como certamente acontecerá, aperceba-se, mas deixe que se vá embora, ou seja, não continue a alimentar esse pensamento, dizendo a si próprio que agora, este momento é apenas para si, para esvaziar a sua mente e que nada mais é importante agora. Tudo pode esperar! Com esta decisão, volte a centrar a sua atenção no ar que entra e o preenche e no ar que sai, ao seu ritmo, sem nada forçar. Não precisa respirar mais nem menos, observe apenas o seu corpo a respirar, sinta-o respirar. Saboreie cada movimento do ar. Seja como uma testemunha que vê o corpo respirar e encontra relaxamento profundo nesta actividade do corpo.

À medida que o corpo inspira e expira sentirá o corpo relaxar. Quando o corpo relaxa, a mente também relaxa, esvaziando-se de toda a inquietação, de toda a actividade. Queremos chegar ao estado de zero actividade da mente, mas somos pacientes e observamos o que se passa em nós, as vezes que forem necessárias, sem nos aborrecermos. Chegará um momento em que a mente começa gradualmente a aquietar-se, a silenciar-se.

O silêncio da mente traz consigo um sabor único, de uma paz imensa, de um bem-estar sem igual na realidade física. Continue a saborear esse estado de tranquilidade e entregue-se a ele, permanecendo vigilante e sempre que a sua mente lhe mostrar um pensamento, imagine esse pensamento a afastar-se no espaço infinito, até que deixe de o ver e, de novo, centre a sua atenção na respiração, saboreando uma e outra vez a sensação de relaxamento que a entrada e saída do ar no seu corpo lhe produz.

Se se entregar por completo a esta prática, acabará por deixar de sentir o corpo. Sabe que está a respirar, mas gradualmente entra num estado de consciência profundo, em que corpo e mente se libertam e entra num estado de consciência em que apenas é. Esse estado de Ser é profundamente transformador pois traz consigo a libertação da necessidade de sermos qualquer outra coisa que não seja nós mesmos.

Se durante a sua prática sentir sonolência, não estranhe, é a sua mente que precisa de descansar. Com a prática ela ficará mais desperta e a sonolência dará lugar a um estado de presença total, em que uma energia renovada o invade trazendo consigo um bem-estar interior sem igual.
Uma pratica regular irá fazê-lo atingir estados de consciência onde uma energia puríssima, repleto de vitalidade Irá percorrer corpo e mente, renovando a sua energia e transformando positivamente o seu estado de espírito. Começará a aperceber-se dos estados de paz e beatitude que atinge na sua mente e não abrirá mais mão deles porque de cada vez que se senta para meditar, a experiência será mais bonita e mais gratificante.

Seja disciplinado e paciente na sua prática. Se a sua mente lhe começar a dizer que não é capaz, ou que nunca vai conseguir relaxar, ou ainda que está a desperdiçar o seu tempo em fazer coisa nenhuma quando há tanto para fazer, não a valorize. Imagine-se como um espectador que presencia um monólogo, mas que sabe que aquela personagem, se não for alimentada, acabará por enfraquecer e, quando esta se silenciar, dará lugar a uma presença mais autêntica, mais genuína, repleta de força e criatividade.

Descobrirá uma parte de si que desconhecia. Não deixe de a contactar pois acabará por chegar ao conhecimento da sua própria Natureza, única e repleta de potencialidades.

Não acredite no que lhe digo, estimado leitor, descubra-o através da sua prática.

ABC da Meditação
Maria João Viana
Nascente

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