À Conversa com The Parkinsons

Há bandas que marcam uma época. Há bandas que assinalam um género de música. Há bandas que fazem história. Depois há os Parkinsons, banda que nasceu em Coimbra para conquistar o mundo. Neste novo round da sua existência mostram que mantêm a pujança e a garra de outros tempos. Estivemos à conversa com eles para desvendar um pouco mais sobre os senhores do punk nacional que, depois de A Long Way To Nowhere (2002) e de Down To The Old Worl (2005), surgem com Back To Life, o mais recente trabalho.

 Para quem não vos conhece desafio a que se identifiquem e que em 5 palavras vos descrevam.
Os Parkinsons são Vítor Torpedo, Afonso Pinto, Pedro Chau e Kalo. Os Parkinsons são amizade, raiva, ansiedade e inconformismo, ou seja e numa só palavra: Punk Rock!

O percurso musical de cada um de vós é digno de nota e dele fazem parte bandas como Bunnyranch, Tiguana Bibles, 77, Tédio Boys… em que encruzilhada da vida se encontraram?
Todos nos encontrámos nas raízes, que neste caso são os Tédio Boys. O Kalo e eu como membros da banda, o Pedro Chau e o Afonso como fãs e amigos. Mas a partir dai tornaram-se companheiros de diversas aventuras musicais.

Coimbra foi sempre o cenário para os vossos encontros e desencontros?
No principio sim, foi Coimbra, mas no universo dos Parkinsons Londres é a casa.

Como surge Londres na vossa vida? Foi o destino, o tal “tinha que ser” tão português?
No princípio, Londres não era a casa que tínhamos em mente. Para nós a ideia era ir para Londres trabalhar seis meses e fazer dinheiro suficiente para irmos para os Estados Unidos ao encontro do Fernando Pinto, da editora Elevator Music (Tédio Boys). Mas os planos mudaram muito rapidamente com a nossa ascensão apocalítica em Inglaterra!

Como é ser músico de uma banda punk na terra que viu nascer os Sex Pistols?
E fantástico, uma vez que Londres é a meca do Rock and Roll dos tempos modernos …e, claro, palco de uma requintada e enorme história do universo musical e de outras artes.

A vossa história está cheia de histórias de concertos e performances no mínimo arrojadas…já se passou mais de uma década, estão mais calmos ou podemos esperar da vossa parte a mesma energia e provocação?
Não estamos mais calmos. Estamos mais sincronizados, mas no que diz respeito ao outro lado, a irreverência e a raiva inerente a este projeto continua lá. De outra forma, não faria qualquer sentido esta reunião e a nova vida da banda.

Abriram para bandas como Jon Spencer Blues Explosion e The Fall, que memórias guardam desses tempos?
Memórias espetaculares, uma vez que todos respeitamos e gostamos destas bandas. Mas acho que a banda com a qual mais gostei de tocar foram os Suicide.

Conta-se que aquando da vossa estadia nos Estados Unidos foram convidados para tocar na festa de aniversário de Joey Ramone…contem lá como é que isso aconteceu?
Isso foi com os Tédio Boys…
O Joey Ramone segui-nos em todos os concertos que demos em Nova Iorque e a partir dai saiu o convite, foi …algo especial!

Não gravavam há cerca de 8 anos, o que vos levou a entrar novamente em estúdio?
Ainda não sei, mas acho que faz sentido. E agora temos uma relação menos impulsiva entre todos os elementos e estamos mais relaxados e calmos quanto às nossas decisões. Desta forma, podemos criar e recriar algo que não estava acabado.

“Back To Life”, é o vosso novo trabalho. Sugestionados pelo titulo, podemos afirmar que este é de alguma forma um registo autobiográfico?
Talvez, mas é mais do que isso. Acho que é a celebração da curta vida que os Parkinsons tiveram. Funciona como uma reencarnação necessária e ansiada. Música para a crise e para os chateados, para todas as cores e para todos. Uma nova vida, uma nova aventura.

Afirmaram em comunicado que “em termos sonoros, há uma nítida mudança em relação ao passado”. Como se concretiza essa mudança?
A única mudança é que finalmente temos um álbum, algo de completo onde as músicas podem encontrar a sua identidade e o seu nicho. Essa é a diferença, e o facto de podermos mostrar mais uma vez o que somos, a nossa raça, a nossa música, como uma unidade completa!

Que expectativas têm relativamente à tournée que vão fazer por Portugal?
Sei que vai ser excelente! Acabámos o nosso treino em Londres e Brighton, a partir dos dois primeiros jogos da época tudo é mais fácil! A partir daqui é só a subir, 100 por cento! Sempre!

…o concerto do Optimus Alive foi um bom aquecimento para o que ai vem?
Sim, mas já não tocávamos há muito tempo, havia um excesso de ansiedade.

Estávamos lá e por instantes tivemos a sensação que o público não estava a aderir como era suposto…sentiram isso? Sentem que esta malta nova já não adere ao som punk como as gerações anteriores?
Não, é tudo muito natural. A gente mais nova não nos conhecia e também o público mesmo adepto dos Parkinsons não vai ver um concerto nosso num festival como o Optimus. O nosso público prefere ver os nossos concertos em espaços mais pequeno… eu também!

Prometem “agitar o conformismo do panorama musical português”…acham que os nossos músicos estão conformados com o quê?
Claro, não só o panorama português. Os nossos horizontes são muito maiores. Mas não sei… num planeta em que os Homens da Luta e os Deolinda são as vozes da nova geração, não sei se há muito a fazer por estes lados. O panorama é tão mau que começo a ter saudades da Banda do Casaco!

Pode a música voltar a ser um statment como foi em épocas passadas igualmente conturbadas a nível tanto económico como social?
Sempre! É esse o dever da música! Música é revolução! Nós não vamos hastear bandeiras, não queremos mudar o mundo, mas estaremos aqui mais uns tempos para espicaçar algumas cabeças e almas que estão perdidas.

A frase “Punk is not dead” ainda faz sentido?
A palavra Punk não existe nesse sentido. O Punk significa liberdade! Sendo assim, o Punk tem mais significado que nunca!

Texto: Sandra Pinto
Fotos: Luís Pissarro (fotos tiradas no concerto dos Parkinsons no Optimus Alive 2012)

http://www.facebook.com/officialtheparkinsons

 

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