À conversa com Subway Riders

Nasceram em Coimbra, mas o mundo é a sua casa. Chamam-se Subway Riders (nome descaradamente roubado ao filme de Amos Poe, de 1981) e nasceram para ser estrelas maiores no universo musical nacional. Parados durante algum tempo, ganham em 2013 um novo fôlego. Estivemos à conversa com Carlos Dias, um dos mentores do projeto.

Quem são os Subway Riders?
Os Subway Riders são uma ideia minha e do Victor Torpedo. Em 1989 ele tocava numa banda com amigos comuns, eu era o “produtor”, e como tinha confiscado uma guitarra e um amplificador, também queira ter uma banda. No final dos ensaios deles ficávamos os dois e uma caixa de ritmos a magicar no que se viria a tornar no nosso som. Criámos uma empatia desde o princípio, a qual se transformou numa grande amizade e cumplicidade. Naquela época em Coimbra existiam algumas bandas, mas nós não queiramos ser iguais aos outros. Queríamos ser diferentes.
Eu tinha pertencido aos Objectos Perdidos, e com eles todas as loucuras eram exploradas ao máximo. O mesmo aconteceu com o Victor, decidimos um dia que queríamos “fazer uma banda onde nunca haverá um único ensaio”… e até ao dia de hoje nunca houve.
Todas as músicas foram criadas no momento, e sempre que são tocadas soam de forma diferente. Têm uma base que foi ficando, mas temos a liberdade de acrescentar o que quisermos. Também os músicos que tocaram ou tocam connosco, quase nunca tocam o seu instrumento de eleição, têm que tocar um instrumento diferente do habitual. Tudo isto faz com que em palco os momentos de caos choquem com momentos realmente geniais. Tudo sempre tocado como se não existisse amanhã, claro! Tudo isto, e o prazer com que todos tocam, fazem os Subway Riders. Neste momento a banda é composta por mim, o Victor, o Calhau, o Chau e o André. Todos de apelido Subway!

Com tantos anos de vida porque é que não vos conhecemos devidamente?
Em parte devido à ausência do Victor, a estada dele em Inglaterra durante cerca de 10 anos. Eu só toco com ele e durante este tempo apenas colaborei com o Paulo Furtado. Uma vez no primeiro disco do projeto Legendary Tigerman e outra num apontamento ao vivo inserido na “Coimbra, Capital da Cultura”.
Mas a verdade é que em Coimbra sempre fomos uma espécie de banda de culto, devido, não só, aos concertos dementes, mas também por culpa dos elementos que foram passando pela banda. Quem durante os anos 90 e início da década de 2000 conheceu e participou na cena musical e de concertos de Coimbra de certeza que se cruzou connosco.

Coimbra…tanta gente de relevo da nossa música veio da cidade dos estudantes. Qual é a vossa desculpa?
(risos) O facto de ser uma cidade pequena, faz com que se as pessoas com interesses parecidos, ou não, se reúnam nos mesmos espaços. A partilha é inevitável. Na altura era também a frustração e a revolta de viver numa cidade que existia à sombra da universidade, e onde pouco havia para fazer. Existia um fulgor que não encontro nos dias de hoje, pelo menos no que diz respeito ao rock, porque DJ temos aos montes.

A banda integra nomes importantes da música nacional…como é que tudo começou?
Somos a banda que existe há mais tempo em Coimbra, e como temos o hábito de convidar músicos é natural que alguns conquistassem, como veio a acontecer, com outros projetos o seu espaço na música nacional. São “importantes” agora, e estou contente por isso, mas quando tocavam ou tocam, eram/são apenas um Subway igual aos outros. Os Subway Riders foram sempre a banda onde todos gostam de tocar, sem stress. Divertem-se, comem bem, conhecem miúdas giras. Em pouco tempo não querem outra coisa, voltam sempre.
Acho, humildemente, que quase todos incorporaram um pouco de Subway Riders nos seus próprios projetos. Outro aspeto muito importante, reside no facto de sermos todos amigos e, mesmo elementos que não estão habitualmente connosco continuam a ser da banda. É tipo culto, quem entra, não sai! (risos)

O que vos levou a dar novo fôlego ao projeto?
O regresso do Victor. O convidar amigos para tocar e perceber que a loucura ainda estava no mesmo nível, com tendência para piorar e, mais o importante, querer salvar a música nacional.

Que expectativas têm relativamente ao futuro?
Vamos continuar a dar concertos e vai estar, finalmente, à venda o disco que foi gravado nos estúdios da RUC em 1999. O tal que depois de estar pronto ficou fechado na garagem de uma velhota danada até há pouco tempo. Os Subway Riders estão no disco com a formação mais estável da sua existência, um “power trio”: eu, o Victor Torpedo e o Paulo Furtado na bateria. Uma edição apenas em vinil.

O estrelato é uma coisa que vos cativa?
Claro. Queremos aparecer e estamos prontos para as investidas das revistas cor de rosa. Depois, o domínio mundial é o objetivo!

De todos os programas de TV nacionais qual aquele onde gostariam de atuar?
Pergunta difícil… Atualmente há tantos programas bons e apelativos que nem vou nomear para não ferir a suscetibilidade de ninguém, somos uma banda que se preocupa. Mas o Canal 180 parece interessante.

Versões ou originais, o que preferem?
Originais, claro! Mas tocamos um ou outro clássico com um desarranjo nosso.

Para quando um registo (álbum) vosso)?
Depois dos concertos de apresentação do disco perdido, vamos para estúdio. Novo disco lá para o final do ano. Vai ser um registo com a formação atual que está a funcionar muito bem.

Quais são as vossas influências?
Todos temos diferentes influências. Mas para quem gosta de música é fácil perceber no nosso som quem nos influenciou. Além da música o cinema, a fotografia, a pintura e outras artes. Demasiadas influências, mas não soamos a ninguém em particular, temos um som nosso, original.

Como funciona a mecânica do grupo (quem escreve, compõe..)?
Eu “escrevo” as letras e a música é minha e do Victor. Mas todos colaboram, somos uma banda democrática.

Quando e onde vamos poder ver os Subway Riders ao vivo?
Essa é a parte cómica. Nós vamos tocando, mas denoto por parte dos promotores um medo por tudo o que foge ao normal. Quando o disco estiver cá fora vamos ter que tocar em Lisboa, o único sítio que falta.
É esperar por notícias…

Por Sandra Pinto

http://www.facebook.com/SubwayRiders?ref=ts&fref=ts

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