A caminho dos Óscares

Estamos a poucos dias da 85.ª edição dos Óscares da Academia, e por aqui na Look Mag vamos olhar, diariamente, para os candidatos a Melhor Filme. Já conhece os nomeados? Já tem os seus favoritos? Façam as vossas apostas, pois nós vamos falar-lhe de dois filmes por cada dia, até ao tão aguardado próximo domingo, dia 24.

Por Francisco Toscano Silva

NOMEADOS A MELHOR FILME:
1) 00:30 A Hora Negra, de Kathryn Bigelow
2) Amor, de Michael Haneke
3) Argo, de Ben Affleck
4) Bestas do Sul Selvagem, de Benh Zeitlin
5) Django Libertado, de Quentin Tarantino
6) Guia para um Final Feliz, de David O’ Russell
7) Lincoln, de Steven Spielberg
8) Os Miseráveis, de Tom Hooper
9) A Vida de Pi, de Ang Lee

DJANGO LIBERTADO
Título original: “Django Unchained”
De: Quentin Tarantino
Com: Jamie Foxx, Christoph Waltz, Leonardo DiCaprio
Género: Western, Drama
Classificação: M/16
EUA, 2012, Cores, 165 min

Sinopse – Passado no sul dos EUA, dois anos antes da Guerra Civil, Django Libertado conta a história de Django, um escravo com vendido a um caçador de recompensas alemão para ajudar na captura dos irmãos assassinos Brittle. O seu sucesso leva Schultz a libertar Django, mas os dois homens decidem permanecer juntos, apesar de aperfeiçoar as suas capacidades de caça, Django mantém-se focado num objectivo: encontrar e resgatar Broomhilda, a sua mulher que perdeu no comércio de escravos há muitos anos atrás. A procura de Schultz e Django leva-os até Calvin Candie, o proprietário de “Candyland”, uma plantação infame onde ambos terão de jogar a mais alta das paradas pela sua sobrevivência.

Crítica – Tarantino é um cineasta que continua a viver a sua liberdade criativa ao sabor das suas paixões, e desta vez dá uma volta ao imaginário western spaghetti que viu em garoto e, à laia de Nick Ray, constrói também ele o seu “Johnny Guitar” ao redefinir os personagens do Oeste e as “cores” que usam, por dentro e por fora. Acho que existem uns 10 a 15 minutos a mais, mas nada que faça abanar, nas contas finais, o argumento e diálogos de ferro, as interpretações notáveis (Se Foxx é espantoso, DiCaprio, Waltz e L. Jackson são abismais) e o olho de câmara do senhor Q que capta na perfeição a elegância da mise en scène clássica em equilíbrio com a tensa e raivosa montagem da violência. É um filme admirável, mas que terá muito poucas hipóteses de ganhar.

GUIA PARA UM FINAL FELIZ
Título original: “Silver Linings Playbook”
De: David O. Russell
Com: Robert De Niro, Bradley Cooper, Jennifer Lawrence
Género: Drama, Comédia
Classificação: M/12
EUA, 2012, Cores, 122 min

Sinopse – Após passar algum tempo internado numa clinica psiquiátrica devido a problemas emocionais, Pat pretende começar tudo de novo e remediar os erros do passado. Assim, ao mesmo tempo que decide voltar para casa dos pais para tentar uma reaproximação, vai fazer de tudo para se reconciliar com Nikki, a ex-mulher. Porém, os seus planos caem por terra no momento em que conhece Tiffany, uma rapariga problemática que luta contra os seus próprios demónios e se esforça por superar a recente morte do companheiro. Assim, duas almas torturadas e com pouca esperança no futuro acabam por se tornar na inspiração que necessitavam e, ao reencontrar o caminho, retomam o gosto pela vida.

Crítica – Não temos dúvida que David O. Russell é um realizador competente, já o tínhamos comprovado nos seus filmes anteriores (recordemo-nos, por exemplo, de ‘Três Reis’ ou do mais recente e espantoso ‘The Fighter – Último Round’), mas não há mais nada que nos siga, depois do fim desta sessão, que não seja um descomplexada simpatia. Ou seja, não se compreende muito bem a quantidade de nomeações que o filme recebeu, pois Bradley Cooper vai bem mas é igual a si mesmo, ao contrário de Jennifer Lawrence que ganha maior força no nosso coração com os seus olhos despedaçados pela agonia da solidão. De resto, temos um De Niro secundário mas com forte presença, uma história bem contada e a bom ritmo, mas sem qualquer rasgo cinemático especial. Hollywood já deixou passar outros dramas de maior relevo que este. Mas nunca se sabe o que a noite de 24 nos pode reservar.

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